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Review: Impossível competir com Madonna

Madonna

Madonna é considerada uma lenda viva, um ícone cultural, uma das melhores e mais influentes artistas na história da música americana e, na noite de 1º de novembro, nós descobrimos o porquê no Scottrade Center: trabalho árduo e carisma natural.

Se acreditarmos em qualquer das falhas de personalidade dela sobre as quais temos sido informados, ela precisa e quer ser o centro das atenções o tempo todo. Esta qualidade pode ser a mais o traço mais distinto de uma estrela pop, e Madonna é, indiscutivelmente, a maior estrela do mundo. A morte de Michael Jackson não deixou dúvidas sobre quem carregará a coroa. Os maiores astros de estádios como Bruce Springsteen e Prince podem representar uma boa competição, mas Madonna é a Rainha.

É especialmente interessante considerar que Madonna é um camaleão de estilos e cultura. Houve a Madonna punk dos anos 80, a religiosa, a controversa, a sadomasoquista, a mística, a Evita, a baladeira e assim por diante. Todas essas Madonnas estão aí e são amadas, mas o interessante é como ela traduz e comprime todas essas personalidades no palco do show. Uma enorme produção, incluindo um palco gigante, telas imensas, luzes, lasers, filas de dançarinos, clipes de intervalo e uma banda, não distraem ou minimizam o poderoso carisma dela.

O show de abertura de Paul Oakenfold foi uma seleção decente e justa pra animar a multidão. Ele gentilmente tocou versões eletrizantes de Mr. Brightside, do The Killers; Satisfaction, dos Rolling Stones; Sweet Dreams, dos Eurythmics; Otherside, dos Red Hot Chili Peppers; e não menos do que três músicas da Rihanna. Basicamente, foi tedioso, mas funcionou. Parecia algo ignorável, tocado em qualquer boate no fim de semana.

Neste momento, Oakenfold é mais um senhor da música eletrônica do que um membro ativo e inovador da cultura, mesmo assim mandou um pouco de Sandstorm, do DJ Darude, para os clubbers que lá estavam. Como os mais populares DJs em grandes eventos, ele não parecia estar fazendo muita coisa atrás do painel de LED. Havia uma câmera sobre ele o tempo todo, mas, de maneira reveladora, o único momento em que mostrou as mãos escondidas dele foi no final, quando ele abaixou o volume.

Um show da Madonna é mais do que apenas música, é a apresentação ao vivo da arte dela, o que representa ela mesma. Não há um jeito fácil de apresentar exatamente todos os seus visuais, fases e explorações musicais em um set de uma hora e meia.

Ela aborda o dilema terminando o show com seções diferentes, todas apresentando humores, atitudes, tipos de música e figurinos diferentes. Ela já está há três décadas numa carreira musical enorme, internacional e inconcebível, e seria impossível (e cansativo) pra ela tocar todas as músicas que os fãs queiram ouvir.

Madonna

Há uma dificuldade que precisa ser dita quando tenta-se compartimentar uma lista de opções tão longa e diversa. Este problema foi resolvido através da referência a outros sucessos durante a apresentação. Por exemplo, Hung Up conteve pitadas de tanto Papa Don’t Preach como Live To Tell. E, durante Express Yourself, Miss Madge até mesmo deu um golpe merecido em Lady Gaga ao jogar alguns versos do sucesso roubado Born This Way no meio da canção.

Por nunca insinuar ou ser sutil, Madonna é direta em sua vida e em seus shows. Ela é uma artista bem literal, andando na corda bamba pra ilustrar uma tensa emoção, agarrando suas partes ao cantar sobre sexo, rastejando no chão pra imitar uma angústia e atuando de forma convincente em alguns cenários de contação de histórias (especialmente durante a apresentação de Love Spent, uma faixa de destaque no novo álbum MDNA).

Sob as luzes de Madonna, tudo é líquido. O chão do palco se transforma numa plataforma elevada, os dançarinos se formam numa escadaria humana e a senhora da noite troca tanto de figurino, quanto de cabelo e humor com facilidade. Ela começou a noite como algum tipo de líder Illuminate sombria antes de mudar para uma violenta Bond Girl; uma mulher buscando orientação religiosa; a líder de uma banda de fanfarra; uma estrela da cena de Factory, de Andy Warhol; uma amante de cítara e seguidora do guro Maharishi Mahesh Yogi; uma anfitriã bem afetada e daí um tipo de druida futurista do espaço sideral, com um pouco da energia dominatrix aqui e ali.

Se ela tem alguma constante, é o fato de estar sempre mudando. Esta é a verdade em todas as suas explorações, mas Madonna ainda tem algumas cenas e visuais próprios. Mas, por estar na cena por tanto tempo, tudo sobre ela é familiar. Das suas sobrancelhas distintas às pontas nítidas de seu lábio superior às coxas saradas ao estilo de dançar e presunção, parece que conhecemos tudo, mas ela ainda consegue fazer as músicas e os visuais parecerem frescos. É tudo ainda muito Madonna, mas ela sempre mistura o estilo. Ela mantem as canções antigas interessantes por apresentá-las de novas maneiras como quando cantou uma versão lenta e quase macabra de Like A Virgin.

Mesmo com todo esse pensamento e esforço e profissionalismo, alguns pontos não foram tão bons assim. Human Nature precisou de mais efeitos de hip-hop (como na versão do álbum) e Masterpiece foi, de longe, o ponto mais fraco da noite. Mesmo assim, quaisquer pequenas falhas foram mais do que compensadas quando o show terminou. Like A Prayer sozinha valeu o preço exorbitante do ingresso. Todos os dançarinos estavam no palco numa estrutura elevada, vestindo túnicas e balançando e batendo palmas como um coral gospel, com Lady Madonna pregando. Posso ouvir um “Amém”?

CADERNO DO CRÍTICO:

Multidão: Parecia haver várias senhoras mais velhas tendo a “Noite das Mamães”. Havia também muitas senhoras vestidas com diversas eras de Madonna, saias redondas dos anos 80, provando ser especialmente populares. Muitas e muitas fantasias que sobraram do Halloween.

Família: Rocco, filho de Madonna, atuou como dançarino-júnior, unindo-se a ela no palco em algumas canções e até mesmo explodindo em seu próprio solo de dança.

Problema: Durante I’m A Sinner, o retorno auricular e o microfone de Madonna lhe deram problemas. Ela parou a canção e esperou pela troca antes de recomeçar, mas não antes de pedir perdão à plateia e evocar piedade daqueles que lá estavam quando ela resmungou em tom de brincadeira: “Este é o meu pior pesadelo”.

Gostosura: Levando em consideração o fato de que Madonna é uma mulher que construiu sua carreira parcialmente em seu corpo e sexualidade, não acho ser irrelevante mencionar que ela estava incrível. Ela está mais linda e, de algum jeito, mais charmosa na carne, e seus figurinos justos não deixaram dúvida de que o corpo dela ainda está demais. Mas é louco assisti-la e perceber que ela é real. Ela é tão pequena quando você a vê pessoalmente que é difícil se conscientizar de que esta pessoa pequenina tem sido tão influente.

Diva: Quando Madonna espiou em alguns fãs sentados durante o show, ela os chamou. Ela quis que todos levantassem e dançassem, e, gentilmente (mas firmemente), os envergonhou até que a obedecessem (“Vocês não têm permissão pra sentar na porra da cadeira!”).

Riverfront Times - Tradução de Leonardo Magalhães.

Tony Shimkin: os 20 anos do álbum EROTICA, de Madonna

MadonnaTribe (Traduzido por Leonardo Magalhães)

Madonna

O álbum “Erotica”, de Madonna, completou 20 anos de lançamento. É hora de celebrar 20 anos de Erotica, um dos álbuns mais originais e controversos de Madonna, com um papo exclusivo com Tony Shimkin, co-produtor e co-autor de algumas das melhores canções do álbum.

Tony foi ao Madonna Tribe pra nos levar a uma jornada de fofocas, lembranças e a um relato exclusivo e inigualável do processo criativo de obras-primas como Erotica, Bye Bye Baby, Deeper And Deeper, Bad Girl e Why’s It So Hard, apenas pra citar algumas, mas também Vogue, Rescue Me, This Used To Be My Playground e as tão comentadas fitas de Rain.

MadonnaTribe: Oi, Tony, seja bem-vindo ao Madonna Tribe. Você é um produtor/compositor famoso e respeitado, mais conhecido pelos fãs de Madonna pelo seu trabalho no incrível álbum Erotica, de 1992. Vamos do começo. Como começou sua carreira?

Tony Shimkin: Comecei no Ensino Médio trabalhando como estagiário no Soundworks Studio em Nova York, que, coincidentemente, é o mesmo estúdio onde mixamos o álbum Erotica, assim como remixes de músicas anteriores dela. Mais tarde, me tornei Assistente do Engenheiro de Gravação e, então, Engenheiro. Durante aquele tempo, trabalhei com Duran Duran, Teddy Riley e, mais frequentemente, Shep Pettibone. Daí, comecei a editar remixes do Shep paralelamente. Pouco tempo depois, fui contratado pelo Shep pra ser seu assistente pessoal. Foi aí que fiquei mais envolvido em mixar e produzir. Devido ao sucesso dos remixes que estávamos fazendo, especialmente para Janet Jackson, Madonna e Mariah Carey, Shep e eu fomos convidados e começamos a compor juntos faixas para Madonna, Taylor Dayne e Cathy Dennis.

MT: Como você se tornou um dos produtores mais bem-sucedidos na Indústria?

TS: É muito gentil da sua parte, mas há muitos produtores que eu admiro como sendo mais bem-sucedidos. Sir George Martin e Quincy Jones, por exemplo, e eu hesitaria bastante em me colocar perto da categoria deles.

Meu sucesso é, em meu ponto de vista, devido, principalmente, ao meu amor pela grande variedade de estilos musicais, meu respeito pelos Artistas, Músicos e Engenheiros de Estúdio e Produtores, e pela minha habilidade de me relacionar bem com diferentes tipos de personalidade. Ser um Produtor Musical é quase ser um Diretor de Cinema.

Você deve reunir o melhor e mais apropriado elenco pra apoiar o Ator ou Atores principais. Na música, são apenas os Músicos e Engenheiros apoiando o artista. Além disso, a locação é importante…o estúdio certo, a atmosfera certa pra ser criativo.

MT: Então como você se envolveu na produção de Erotica?

TS: Como resultado do nosso trabalho remixado para Madonna, nosso envolvimento no álbum The Immaculate Collection nos permitiu colaborar numa canção original, Rescue Me, e nossa colaboração bem-sucedida em Vogue nos deu um convite para co-escrever canções para o futuro álbum dela.

Começamos a compor as faixas e então enviamos a Madonna em LA para escrever as letras e melodias. Daí, ela veio ao estúdio caseiro em NY e começamos a trabalhar.

MT: Erotica pode ser descrito como um álbum conceitual. Depois de ser muito criticada, e até ser chamada de “Fracassada” quando ele foi lançado, o álbum se tornou, com o tempo, um dos favoritos dos fãs por conter músicas fortes e muito bem produzidas. Vocês ficaram decepcionados pelas primeiras reações? Era como se a Mídia quisesse passar pro público uma outra coisa ou algo que ele não era.

MadonnaTS: Entendo a resposta inicial. Quer dizer, ele foi lançado ao mesmo tempo que o livro SEX e o filme altamente sexual dela com William Dafoe, e você tinha os clipes de  Erotica e Justify My Love, então a Mídia estava… “Sexo, sexo, sexo!”. Era Madonna ultrapassando os limites de SEX.

O resto das músicas do meio que se perderam. Se Erotica não tivesse sido o primeiro single, isso poderia não ter acontecido. Acho que quando Rain foi lançada, as pessoas tiveram a oportunidade de ver além da coisa sexual.

Havia mesmo muita diversidade nas canções de Erotica e aquilo se perdeu nas críticas iniciais. Também acho que dois milhões dificilmente é um fracasso, mas, se comparado ao trabalho anterior, que vendeu quase sete milhões no lançamento, o álbum foi visto como um fiasco. É engraçado porque com as vendas atuais, dois milhões é um sucesso enorme e, desde o lançamento, acredito que já tenha vendido mais de cinco milhões.

MT: Você é co-autor com Shep Pettibone e Madonna de algumas das melhores faixas do álbum: Erotica, Bye Bye Baby, Deeper And Deeper, Bad Girl, Why’s It So Hard, apenas pra mencionar algumas. Você se lembra do processo que deu à luz algumas dessas canções?

TS: Erotica foi, definitivamente, uma longa evolução das duas versões finais, a do álbum e a versão inspirada no Oriente Médio chamada Erotic, inclusa no livro SEX. Bye Bye Baby foi muito divertida, já que o efeito do vocal filtrado foi aplicado durante a gravação e tocado enquanto ela cantava. Este vocal está também na primeira demo.

Durante a mixagem de Deeper And Deeper, eu estava zoando com um violão acústico, tocando música espanhola, no estilo flamenco. Madonna me ouviu e quis adicionar aquela parte na música. Daí, acrescentamos castanholas e…voilá! A parte com o estilo latino da canção nascera!

Tínhamos acabado de voltar de férias no meio do processo de composição, Shep estivera na Jamaica e eu fora mergulhar nas Ilhas Cayman. Ambos voltamos com uma pesada inspiração do Reggae, e daí veio Why’s It So Hard. Depois que Madonna passou um dia fora, eu toquei com uma ideia e adicionei alguns vocais de fundo. No dia seguinte, não sabia que ela já tinha chegado e estava tocando. Daí, ela gritou do andar de baixo: “O que é isso…gostei!”. Cheio de vergonha, contei a ela que era eu cantando e ela me fez cantar de novo na frente dela. Aquela foi a minha estreia como cantor. Foi engraçado ouvir minha voz durante o Girlie Show nos alto-falantes do Madison Square Garden.

Bad Girl foi uma partida do resto do álbum e uma boa quebra no processo de composição, porque nos desacelerou e foi legal ficar sério por um momento.

MT: O som de Erotica parece bem cru quando você ouve as primeiras canções. Esta foi uma decisão consciente?

TS: Usamos muito dos vocais demo que foram gravados com um microfone SM-57, mais comum para apresentações ao vivo, porque tinha uma grande energia e gostamos da performance.

Quando gravamos na fita, usamos um gravador de  ¼ de polegada (Ver Foto) e a faixa de 2 polegadas foi gravada com 15 ips (Inches Per Second) pra dar um toque mais antigo ao som, ao contrário do formato digital, que é o que estamos acostumados a trabalhar. Portanto, o “som cru” foi deliberado, por querermos usar o máximo das nossas performances demo.

MT: Quais das canções de Erotica são as suas favoritas e por quê?

TS: Quando o álbum foi originalmente lançado, o Shep me contou que eu devia escolher apenas uma música na qual colocar meu nome como compositor. Sabendo o que sei hoje, eu teria dito “Não, colocarei em todas ou então comece tudo de novo sozinho!”.

Com isso, escolhi Deeper And Deeper, porque sabia que seria um sucesso. É difícil dizer agora, mas eu deveria ter escolhido Rain, porque amo a ascensão que vem com o sintetizador e como ele te eleva às outras partes, mas o clipe pode ter inspirado esta resposta.

MT: Recentemente, houve um papo na Internet sobre as chamadas fitas de Rain. Delas, parece que as canções de Erotica passaram por muitas fases diferentes. De onde estão vindo essas fitas?

TS: Não sei. Certamente não fui eu, acredito que apenas Shep, eu mesmo e Madonna têm cópias das primeiras fases das demos. Portanto, o seu palpite é tão bom quanto o meu. Algumas ofertas me tentaram a lançar coisas assim, mas Madonna sempre me tratou com respeito e eu não faria nada sem o consentimento dela.

MT: Uma antiga versão acapella de Erotica, conhecida pelos fãs como You Thrill Me, apareceu na Internet alguns anos atrás. A música era completamente diferente da versão do álbum. Então, isso significa que Erotica foi uma das canções que passaram pelas maiores mudanças durante a produção?

TS: Sim, começou como uma canção totalmente diferente. Apenas uma parte do vocal: “You thrill me, surround me, you fill me” se tornou “Erotic, erotic, put your hands all over my body”. Quando isso aconteceu, a coisa do sexo meio que tomou o controle e acabou indo numa direção completamente nova.

MT: Mas Madonna não esqueceu de You Thrill Me, já que a repetiu na Confessions Tour, em 2006. Você ouviu aquela versão ao vivo de Erotica/You Thrill Me? Você gostou? Você ficou surpreso por ela ter desenterrado a demo pra reinventar a canção pro palco?

TS: Não, não ouvi, mas vou pegar uma cópia e ouvir agora que você me contou. Estou muito interessado em ouvi-la. Madonna geralmente explora uma nova direção ou revisita uma antiga quando se apresenta ao vivo e eu acho isso ótimo, odeio ir a um show e ouvir uma canção feita exatamente como o arranjo de gravação. Esta é a razão por ir ver um show ao vivo. Pode apostar que as pessoas comprarão o DVD daquela turnê apenas pra ouvir estas novas/velhas versões.

MT: Do que eu entendo, a parte “You are who you are” substituiria a parte falada “Give it up, do as I say” na estrutura da canção inicial e o refrão “You thrill me, surround me, you fill me” estava lá, ao invés do mais famoso “Erotic, erotic, put your hands all over my body”, certo? Basicamente, na Confessions Tour, ela cantou a canção feita de dois refrões.

TS: Às vezes, as canções realmente são desenvolvidas. Sei que é mais fácil achar que foi composta uma vez, da forma que você ouviu. Mas, neste estilo de música, ao contrário dos Beatles, que compunham no violão ou piano, a canção evolui. Começando com uma faixa para uma energia, Madonna cantava as ideias dela. Inspirados nelas, nós mudávamos e construíamos a música, mudando completamente, às vezes. Daí, se tornava um esforço colaborativo, de trás pra frente, até você ter o que todo mundo ouve.

MT: Na versão do álbum Erotica, dois samples foram inclusos. Um é de Jungle Boogie e o outro é o canto assombrado El Yom. Pessoalmente, acho que eles deram à canção um bônus adicional e foi uma ótima ideia. De quem foi a ideia de incluir samples nas canções?

TS: Os samples eram de uma coleção de sons escolhidos da extensa coleção de discos do Shep e foram usados como inspiração na construção das canções. Geralmente, nos livrávamos deles depois de terem servido ao nosso propósito. Os samples que você mencionou se tornaram parte integral da canção e a música sentia a falta da energia que adorávamos quando os tirávamos. Às vezes, você não pode substituir ou recriar essa mágica.

MadonnaMT: A faixa Goodbye To Innocence também foi descartada pra favorecer o cover de Fever na época. Como isso aconteceu?

TS: Quando estávamos na fase de mixagem da produção, Madonna começou a cantar Fever sobre a faixa Goodbye To Innocence. Ficou uma regravação legal e fomos até o fim. Eu sempre amei Goodbye To Innocence e fiquei um pouco desapontado por perdê-la. Fiquei feliz quando ela a relançou tempos depois.

MT: Fever também foi remixada em uma nova versão pra ser usada no clipe. Você trabalhou na produção daquele remix também?

TS: Não, não estava ciente que tinha sido feito como um clipe. Porém, nós fizemos o arranjo daquela versão ao vivo para a aparição no Saturday Night Live.

MT: Aparentemente, há muitas faixas que foram compostar pro álbum e nunca foram terminadas ou lançadas. Muito tem se falado de uma canção que você ajudou a compor com Madonna e Shep, chamada You Are The One. Você pode nos contar mais sobre ela?

TS: Havia duas canções que fizemos, mas não foram lançadas. You Are The One e Shame. You Are The One era uma canção agitada e bem chiclete. Uma verdade é que Madonna nunca criou melodias esquecíveis. Infelizmente, nem toda canção chega ao CD. Talvez ela lance uma coleção de canções não-ouvidas um dia, mas eu duvido. Ainda tenho uma cópia em cassete dessas demos antigas. Preciso converter para arquivos digitais para a posteridade um dia.

MT: Em Shame, Madonna, aparentemente, reprisa sua personagem Dita da canção Erotica. Estou muito curioso sobre esta canção…

TS: Shame ficava na memória rapidamente, embora o refrão tenha ficado muito parecido em termos de melodia com uma outra canção com o mesmo título. Mesmo assim, mantinha a fidelidade com o resto do material gravado e, sim, o alter ego Dita pode ter nascido desta canção também.

MT: Você acha que um dia teremos uma chance de ouvir essas produções não-lançadas?

TS: Como eu disse antes, a decisão é de Madonna. Eu a respeito demais pra lançar qualquer coisa sem ela saber, lembre-se de que não foi ela que me sacaneou com os créditos e a publicação.

MT: Antes de Erotica, você também trabalhou em The Immaculate Collection, Vogue, Rescue Me e no remix de Keep It Together. Qual foi o seu envolvimento nestas canções?

TS: Vogue foi a primeira vez em que conheci “Mo”. Ela tinha voado de LA pra graver vocais e não tínhamos ouvido muito das ideias dela pra música. Daí, quando ela começou a cantar, eu soube instantaneamente que seria um mega sucesso. Aconteceu dela escrever toda a parte “Greta Garbo and Monroe…Deitrich and Dimaggio…” no voo de NY para a gravação. Muito impressionante, se você me perguntar.

Rescue Me foi uma faixa original que fizemos pra ser inclusa em The Immaculate Collection, e foi realmente minha primeira composição pra ela, embora eu nunca tenha levado o crédito. E o remix de Keep It Together foi um de três que fizemos, sendo os outros para Express Yourself e Like A Prayer.

Naquela época, os remixes que fazíamos foram muito bem recebidos e frequentemente éramos convidados a remixar cada canção que era lançada. Com Rhythm Nation da Janet Jackson, nós remixamos todos os sete singles, sendo o primeiro Miss U Much. Se você ouvir o nosso Club Remix (http://www.youtube.com/watch?v=zWp0vGtwc2E) daquela canção, você perceberá muito da inspiração para Vogue, basta ouvir a bateria e a linha de baixo que entenderá. Às vezes, o que você faz para um remix é bom demais pra ser ouvido apenas numa boate.

MT: Depois de Erotica, Madonna lançou o álbum Bedtime Stories em 1994. Aparentemente, Shep Pettibone também trabalhou em algumas das canções dele, como Secret, mas, originalmente, ele não foi creditado. Shep e você estavam, originalmente, envolvidos em Bedtime Stories também como produtores?

TS: Não, Shep não estava envolvido e eu não estava mais trabalhando com ele. Sei que ele havia tentado escrever algumas coisas pra esse projeto e ele afirmou ter criado algumas faixas para as quais ela escreveu Secret. Conhecendo-a bem, ela provavelmente sempre teve aquela ideia no caderno, experimentou a faixa dele e, quando achou que não estava funcionando, seguiu em frente. Junior Vasquez era um amigo de Shep, eu o conhecia também e, à época, ele era provavelmente o melhor remixer e DJ, então ela começou a trabalhar com ele.

Junior me envolveu em algumas das produções e remixes de Bedtime Stories e foi divertido trabalhar numa capacidade diferente daquela de Erotica. Uma vez que você trabalha com Madonna, você nunca quer parar, mas ela é esperta e é conhecida por se reinventar e manter cada álbum fresco e, às vezes, isso significa trocar seus colaboradores ou produtores.

Shep levou pro lado pessoal e acho que ele tentou sacanear Secret, por estar magoado. Talvez ele foi creditado pra evitar futuros problemas.

MT: Também queria te perguntar sobre This Used To Be My Playground. Você esteve envolvido nesta canção e ela foi produzida na mesma época do álbum Erotica?

TS: Sim, fomos nos encontrar com Madonna em Chicago enquanto ela estava filmando “Uma Equipe Muito Especial”, e conversamos sobre uma canção original pro filme. Eu compus as partes de cordas e o solo de violino. Quando gravamos com Al Schmidt no estúdio Ocean Way em LA, tivemos uma orquestra de 30 peças e Jeremy Lubbock fez os arranjos de corda. Nunca incluímos a demo que tinha o solo de cordas quando ele montou tudo com a orquestra.

No dia em que estávamos gravando, achei que tínhamos terminado e percebi que esquecêramos o solo. Rapidamente cantei a parte pro copiador que montou tudo para os violinistas e eles gravaram com apenas um minuto no relógio. Quando você tem uma orquestra de 30 peças, pode ficar muito caro usar uma segunda hora do tempo deles. Foi um aprendizado enorme ver um mestre como Al Schmidt gravar e mixar, ele é simplesmente incrível, um verdadeiro artesão.

MT: Você trabalhou com muitos artistas de estilo, como Janet, apenas pra mencionar um. O trabalho com Madonna tem sido diferente dos outros?

TS: Muito, de algumas formas. Eu nunca trabalhei com uma artista tão determinada ou motivada como ela. Adorei o ritmo acelerado com o qual trabalhamos e definitivamente tínhamos isso em comum. Geralmente, eu trabalho bem rápido com gravação de vocais e raramente faço aquecimentos ou preparativos. Ela foi uma das poucas artistas que se desenvolveram nesta forma de trabalho. Acredito que você deve conseguir capturar ideias assim que elas aparecem e ela apreciava isso.

Lembro-me de uma vez, durante a pré-produção de uma das canções de Erotica. Em um dos nossos primeiros dias trabalhando juntos, houve uma estória engraçada. Eu estava organizando algumas coisas no computador e ela queria experimentar algo. Ela me perguntou se eu já estava pronto. Disse que não e, minutos depois, ela me perguntou novamente. Mais uma vez, disse não e, um minuto depois, ela perguntou outra vez. Joguei um lápis do outro lado da sala e disse bem alto: “NÃO!”… “Por que você não vai lá embaixo e faz pipoca…uma ligação…e eu te digo quando estiver pronto”.

Ela ficou quieta (provavelmente um pouco chocada por este moleque de 22 anos ter dito isso a ela)…daí disse “ok” e desceu. Daquele momento em diante, ela tinha o mesmo respeito por mim do que eu por ela e nossa relação cresceu muito bem. Em retrospecto, aquele poderia ter sido o fim da minha carreira, mas ela respeita alguém que fala o que pensa assim como ela e não apenas puxa o saco.

Todos os artistas têm uma visão, mas a dela sempre foi bem definida e clara. Mesmo assim, ela sempre estava aberta a críticas e sugestões, não que ela sempre concordasse, mas estava aberta e isso é importante.

MT: Quais são seus projetos futuros nos quais você está trabalhando agora, Tony?

TS: Eu havia mixado o álbum Between The 1 And 9 para uma artista da EMI chamada Patti Rothberg. Produzi o álbum Sky With Stars For Sony para um artista chamado Michal, do qual tenho muito orgulho. Compus para Wild Orchid (antigo grupo da Fergie) e fiz muitos remixes com Junior Vasquez e sozinho depois de trabalhar com Shep.

Mais recentemente, produzi um material para uma banda chamada The Vanderbits e fiz uma música com Anthony Hamilton e com uma nova artista chamada Niia. Todos podem ser encontrados no MySpace.

Ao longo dos últimos anos, compus e produzi, na maior parte, para TV e cinema, mas estou começando a compor novamente para artistas e espero voltar a fazer mais gravações.

MT: Tony, qual sua melhor lembrança do trabalho com Madonna?

TS: Acreditar em mim pra ajudá-la a alcançar sua visão, risos, pipoca e Caesar Salads do restaurante italiano na outra rua do estúdio Soundworks.

MT: Muito obrigado por conversar conosco, Tony.

A foto de Tony e a imagem de Tony e Madonna no estúdio são cortesias da página oficial do MySpace dele: www.myspace.com/tonyshimkin.

Lançamento ‘.W.E.’ no Japão: ‘W.E.’: Madonna leva estória de amor real além do limite

Por KAORI SHOJI

Ame-a ou não, um fator admirável sobre Madonna é que ela nunca deixou de ser a Material Girl. Ela faz isso aos 54 anos e, provavelmente, vai continuar aos 84. Desta forma, ela pode sentir uma colega Material Girl a milhares de quilômetros de distância e até mesmo em outro século. Você pode quase sentir as duas trocando grandes sorrisos e um bom abraço, em algum lugar do mundo Material. “W.E.” é a culminância desse abraço: o segundo filme de Madonna (seguindo o desastroso Filth And Wisdom, de 2008), está centrado em Wallis Simpson, que foi Duquesa de Windsor, na Inglaterra pós-guerra.

“Sra. Simpson” para o mundo e “Wally” para os amigos próximos, a divorciada americana flertou com Edward VIII, Rei da Inglaterra – e lançou um feitiço. O rei estava tão gamado que abdicou o trono para se casar com ela, e mexeu com o mundo num discurso público, no qual falou: “Descobri ser impossível carregar o pesado fardo da responsabilidade e exercer meus deveres de Rei sem o amor e apoio da mulher que amo”.

Algum dia ele se arrependeu? Algum dia eles discutiram e começaram a se odiar? “W.E.” não se interessa em buscar mais informações ou destacar qualquer esforço. E por que se importar? Há apenas uma ambição adequada a uma Material Girl, que é se manter suspensa numa eterna bolha de adoração. Madonna mirou em Simpson como uma que conseguiu este feito, e sua homenagem é sincera.

“W.E.” está melhorado principalmente pelo visual e atitude aristocratas de Andrea Riseborough, como Simpson, e a química dela com James D’Arcy, como o Rei. Há um momento quando o (ainda secreto) casal está num jantar formal. Ele acidentalmente rasga a bainha do vestido dela debaixo da cadeira e ela o repreende com um lento e arrastado “David!”. Este era o apelido secreto do Rei Edward, usado apenas em sua família. Com a declaração do nome, a verdade do relacionamento deles voou como uma pomba da cartola de um mágico. Cabeças viraram, olhos arregalaram-se. A respiração cortante de alguém fora do ângulo da câmera tem um efeito brilhante e prolongado.

Entretanto, a obsessão do Rei com Simpson é um conto comum e Madonna não agrega um novo valor ao monumento sagrado. Muitas cenas em “W.E.” parecem um clipe antigo da MTV – veja a cena da praia, na qual Simpson e Edward brincam em trajes de banho extremamente elegantes, com seus corpos rolando na areia e cobertos pela maré. Riseborough poderia ser substituído por Madonna e nem seria notada.

Mas não, Madonna fica atrás da câmera, como se não conseguisse interpretar uma mulher que ela talvez considere um alter-ego. A Rainha Material Girl pode ter conquistado o mundo, mas mesmo Madonna nunca conseguiu fazer um Rei largar seu trono (embora possamos sempre esperar que o ex-marido Guy Ritchie deixe de ser um diretor).

“W.E.” dá certo quando é apenas Simpson e Edward olham um pro outro, mas afunda pela trama secundária de uma semi-heroína fictícia chamada Wally Winthrop (Abbie Cornish). Com o mesmo nome da glamurosa Simpson, Wally é uma triste dona de casa de Manhattan em 1998, constantemente violentada por um marido arrogante e que sonha em ter um romance. Ela assombra Sotheby em tardes chuvosas, suspirando pela Coleção Windsor de cristais, vidros e joias, e reside no enorme abismo entre ela e sua xará.

Lá, Wally chama a atenção de um segurança russo, Evgeni (Oscar Isaac), e eles se dão bem de imediato. A relação deles (altamente sexual) segue paralelamente com a estória de amor mais elegante de Simpson e Edward, mas eu digo, é um grande intervalo. E, num ato errôneo, Madonna se estende no tempo, na distância e na circunstância, tudo para fazer as duas mulheres – Wallis e Wally – se encontrarem e conversarem sobre coisas de garotas. De acordo com a história, isso seria muito improvável. A verdadeira Simpson era esnobe, uma cruel ascendente social, que pensava tão democraticamente quando Maria Antonieta. “Deixe-os comer bolo e ficarem obesos”, era o que ela pensava das massas. Ela mesma vivia de champanhe e mantinha um compromisso eterno de permanecer magra (Edward e ela também simpatizavam com os Nazistas, mas o filme ignora isso).

Após a paixão, o escândalo e o sentimento de excitação fugitiva “nós contra eles”, o que manteve o casal unido num casamento de 35 anos? O filme sugere que foi o senso de personalidade de Simpson, pois, por mais que ela estivesse aos olhos do público, ela nunca o perdeu. Sem dúvida, Madonna consegue se associar a isso.

Japan Times

Crítica: Nem “I´m Sinner” impede que Madonna brilhe na multidão em St Louis

Madonna

Finalmente, depois de 29 longos anos de agonia espera pelo ícone pop Madonna, ela finalmente fez um show em St. Louis, Missouri. Bem, apenas 27 se você contar a partir de sua turnê The Virgin Tour, de 1985. De qualquer forma, o resultado final é que São Luís tem  fome por Madonna. Na noite de quinta-feira, a espera quando a artista feminina mais bem sucedida na história da música tocou para um Scottrade Center lotado e surpreendendo milhares que presenciaram o espetáculo em primeira mão.

Madonna reconheceu a longa espera para os fãs que esperaram para vê-la em St Louis declarando “É tão bom estar aqui, finalmente. Eu tive que colocar no meu caminho St. Louis.”

A rainha do pop Madonna tem sido uma figura controversa desde que ela surgiu no cenário nacional no início de 1980 e o MDNA TOUR não é diferente, ouvindo críticas de críticos de que o show se apoia na tecnologia como representação da violência para posições políticas. Certamente eles não conseguem entender toda a história que o show cria a partir dele.

Para ter certeza, ela não esqueceu de nada em sua primeira visita aqui. Começou o show com uma cena em um templo gigante, repleta de monges cantando e tocando sinos, Madonna explodiu de uma arma flutuante e confessando para começar “Girl Gone Wild”. Depois de uma provocação da “Material Girl” de que o show seguiria com algum clássico de Madonna, todos se enganaram.

Madonna não estava lá para relembrar seus antigos hits. Ela tinha um propósito, e que foi uma narração visual que abrangeu tanto som e imagem. Desenhando na emoção como um catalisador, “Gang Bang” começou bastante simples com Madonna descansando em uma maquete de um motel barato. Imediatamente, tornou-se evidente que sua personagem estava pensando em um assassinato vingativo.

Um por um os diferentes assassinos, fazendo referência direta a tudo o que ela queria eliminar no mundo e em sua vida, e que tentariam matá-la (quantas vezes a imprensa tentou acabar com Madonna ao longo dos anos?), mas foram frustrados por ela e toda vez que ela atirava, imagens de sangue eram projetadas em telões gigantes que contornam a parte de trás do palco. Foi muito visual e gráfico e o ponto de partida para Madonna. Ela fez tudo na intenção de contar uma história, e utilizou o palco inteiro para isso. E fez brilhantemente. Madonna é mestre em não dar ponto sem nó.

Enorme em tamanho e completa com partes móveis do palco davam a impressão que o palco tinha vida própria. Alçapões foram colocados em vários locais que se projetavam como um diamante em cada lugar que Madonna ia, tudo em torno de um lugar privilegiado e caro chamado “Triângulo de Ouro” para os que compraram os caríssimos ingressos. E cada centavo ali acaba por ser uma pechincha diante da grandeza do espetáculo.

Ao longo do show os dançarinos da noite e Madonna iriam dentro e fora de nossas vistas normalmente através de elevador hidráulico. Os elevadores feitos em pequenas porções cresciam e diminuíam com as batidas das músicas , mudando a forma e estrutura do estágio de uma forma que deveria estar na base da apresentação de cada música – tudo milimetricamente alinhado. Então, muitas possibilidades com essa configuração de palco multi-dimensional se seguiram. Cada um dos degraus possuem uma tela de vídeo conectada do mesmo modo que diferentes espectros visuais poderiam ser realizadas para quase qualquer situação, a partir de pilares gigantes em uma igreja, salão de paredes, a um trem em movimento.

MADONNA EM CASA

Quando digo que Madonna se sentiu em casa, o momento mais evidente de constatar foi após a apresentação do hit “Human Nature”. Ela, que em todos os shows tatuou alguma palavra em protesto em suas costas, desta vez deixou-as livre para que algum fã o fizesse, e assim aconteceu. “Vou fazer algo diferente, você quer escrever nas minhas costas?” Perguntou a fã de nome Martha. Madonna se sentou, pediu para que ela a secasse numa total intimidade que só poucos conseguiram em suas vidas e pediu que escrevesse o que Martha achasse dela em grandes letras para que todos pudessem ver, que fosse em uma ou até três palavras, o que quisesse. Madonna se levantou, pediu aos câmeras que a focassem para que ela visse e a frase “U´r the one” (Você é a única) estava lá. Madonna perguntou se ela era mesmo a única e agradeceu.

Assista ao momento

Madonna era a uma sobrecarga sensorial de som e imagem. Era como ver uma peça da Broadway só que melhor, com a música de uma artista de primeira grandeza em grande interação e um sistema de luz infalível.

Vocalmente, Madonna estava no local com a voz tão forte como sempre. Ela facilmente rasgou canção após canção, enquanto constantemente se andava ao redor do palco como se estivesse em casa, com a energia e resistência de alguém com metade de sua idade. Foi verdadeiramente notável e um triunfo que é intemporal na melhor forma de sua vida.

FALHA DE SOM EM “I´M SINNER”

O ritmo do show foi sólido, mesmo durante suas mais de 10 trocas de figurino, e mesmo com os os 4 vídeos interlude que se seguiram durante o show para que vossa alteza fizesse sua troca de figurino não fez perder o ritmo enquanto seus dançarinos dominavam o palco. O tropeço técnico só ocorreu perto do final quando durante as frases iniciais da faixa de seu mais recente álbum “I´m A Sinner” falhou. Madonna foi obrigada a parar a música pois não conseguia ouvir o seu retorno e apenas os gritos da platéia ensandecida. Ela pediu desculpas a seus fãs pedindo paciência e pediu, em tom irônico, misericórdia de tecnologia enquanto conversava com sua equipe de som. Madonna foi até aos fundos do palco para saber o que acontecia, voltou, perguntou se a platéia a ouvia e então reiniciou a música e ainda disse: “Por favor pessoal façam alguma coisa pois eles não podem esperar”, sem deixar a peteca cair demonstrando total controle da sua audiência. Outras até teriam ficado desconfortáveis aparentemente, mas Madonna levou no bom humor e disse:

“Eu vou desaparecer
Fingir que isso não aconteceu
Abracadabra!
Feche os olhos …. “

A multidão não parecia se importar, em vez disse eles lhe deram um vislumbre do que adoram em Madonna: o perfeccionista que se esforça para entregar o melhor show que pode para seus fãs. Foi um momento alegre, que também provou que Madonna não é um robô e deu aos fãs algo que eles podem tomar como lição para suas vidas. Ela pediu desculpas várias vezes e o público respondeu em espécie.

Assista ao vídeo

Sua habilidade em contar uma história tão completa visualmente que se encaixa muito bem com o áudio foi incrível, no mínimo. Posso dizer que assistir a um concerto de Madonna é como uma experiência religiosa para muitos e fica evidente quando “Like a Prayer”, um dos mais poderosos hits de todos os tempos, começou a tocar.

Madonna não é do tipo que vive do passado cantando hits que todos adoram. Ela é um tipo de artista plástica que trás uma mensagem em cada quadro que pinta, e só ela consegue contar uma história e dar uma experiência única como nenhum outro artista pode.

Este show foi um dos maiores programas do ano e a platéia que foi embora após o término do show rasgava elogios para a última grande estrela pop que a América tem.

Não importa o que você acha dela, não há como negar o fato de que Madonna é a única que consegue unir uma produção incrível e divertir o público ao mesmo tempo como ninguém mais pode fazer.

Madonna

Madonna

Madonna

Madonna

The Examiner

‘Monstrinhos’ de Lady Gaga chamam Madonna de ‘louca’: ‘Não é tão legal’

A cantora Lady Gaga se apresentou na noite desta terça-feira (30) no Coliseo em San Juan, em Porto Rico, e o G1 conversou com os fãs da cantora na porta da casa de shows para saber mais sobre o fanatismo dos “pequenos monstros” (como Gaga costuma chamar seus admiradores) e sobre a suposta disputa entre ela e Madonna.

Madonna

Angel Gonzales, jovem de 17 anos de Porto Rico, comentou sobre Madonna e falou da importância de Gaga em sua vida. “Madonna é uma boa artista, mas às vezes fica louca… Ela não gosta de Lady Gaga”. Ele mostrou uma cicatriz na barriga por conta de uma doença que tem e contou que a cantora o ajuda nas horas ruins. “Gaga me fez mais forte e corajoso. Por isso estou aqui. Ela e o disco ‘Born this way’ são tudo para mim”.

A americana Arlene, 26, afirmou que saiu do Texas, sua terra natal, apenas para ver Lady Gaga em Porto Rico. “Ela é incrível, a única pessoa que defende os direitos dos gays. Já havia visto seu show e ela é inspiradora”. Arlene afirma não aceitar que Madonna diga que Gaga a copie. “Elas são diferentes. Gaga é totalmente pé no chão, muito próxima dos fãs. Madonna não é tão legal. Uma artista incrível, mas não gosto tanto dela assim”.

Madonna

“Ela não é só uma cantora, ela também quer que todos sejamos nós mesmos, sinto que ela com sua musica pode divulgar a mensagem do amor, de amar a todos sem julgar ninguém. Ontem, religiosos aqui protestaram por causa deste show. Supostamente ela é um mau exemplo para a juventude, mas para nós ela é perfeita”, afirmou o portorriquenho Alexis, de 21 anos. Seu amigo Gabriel, 24, que teve a sorte de ser chamado por Gaga poucas horas depois para subir ao palco, disse que a americana “é a voz” de sua geração.

As irmãs portorriquenhas Natalie Colon, 16, e Hilary Colon, 17, disseram preferir Lady Gaga a Madonna, embora não soubessem dizer ao certo o porquê. “Ela é a Lady Gaga. É linda”, disse Hilary, que em seguida afirmou não se importar com as supostas gordurinhas extras da cantora. “Eu a amo como ela é. Ela está sempre fabulosa, gorda ou não”.

Review: Emoções e Arrepios de Madonna num cenário épico em New Orleans

“Há somente uma rainha, e é a Madonna!”, declara Nicki Minaj, fechando seu verso em “I Don’t Give A…”, do 12º álbum da Material Girl, MDNA.

Madonna MDNA TOUR New Orleans

Na noite de sábado,27, na Arena New Orleans, Madonna mostrou que tem razão. Seu cenário reuniu quase duas horas de muito drama e emoções, apresentando um material audiovisual suficiente para fazer valer a pena o ingresso de quase 400 dólares. Havia material hidráulico, fogo, lasers, palhaços dançarinos, contorcionistas, acrobatas, armas de fogo, vídeos quase políticos e discursos de voto e, claro, mais imagens católicas do que o Papa poderia destacar.

Em anos de Estrela Pop, o reinado de Madonna (2012 marca 30 anos desde o lançamento do primeiro single) faz dela a equivalente monarca à Rainha Vitória, em termos de longevidade. Na crítica do MDNA para a revista Slate, o crítico de rock Jody Rosen atacou e questionou como, aos 54 anos, Madonna ainda consegue, de forma audaciosa, tentar fazer o tipo de música dance-pop que mantém os fãs, com um terço da idade dela, na pista de dança até o amanhecer, sentindo como se seus segredos mais profundos estivessem sendo revelados pelas escolhas do DJ. Muitas divas de uma certa idade caem graciosamente no mundo das baladas, fato destacado por Rosen, se apoiando dignamente no poder de suas vozes.

É claro que Madonna não é uma cantora de primeira classe. Mas o objetivo nunca foi esse. O que a levou ao topo foi sua teatralidade, um lindo controle dramático de imagem e narrativa que fez dela uma das melhores atrizes do século 20, enquanto interpretava a si mesma. “A mensagem de Madonna sempre foi o poder”, destacou Rosen. “Não é algo que você perde com a idade”.

O show de sábado foi excepcional: exuberante, íntimo, perturbador, bem organizado e genuíno, tudo ao mesmo tempo. Com o perdão dos Von Trapps, como você resolve um problema como Madonna? (Resposta: não tem solução. Você simplesmente aperta os cintos e segue o fluxo.)

Dentre as emoções, havia algumas desafinações. Uma, por que Madonna gosta de tocar guitarra, como fez em, pelo menos, três músicas no sábado? Duas, uma “Open Your Heart” reimaginada e apresentada com o trio tradicional basco Kalakan (que participou de várias canções) cantando e tocando no escuro, em tom medieval, foi uma ideia corajosa, mas parecia não haver sincronia, e mais, a voz dela parecia sem fôlego, nem força.

Durante “Gang Bang” (que inclui o refrão “Bang, Bang, te matei / Bang, Bang, atirei na sua cabeça), seguida por “Revolver” (que apresenta um verso de Lil’ Wayne e, na noite de sábado, incluiu um vídeo de Wayne elevando-se no palco, usando uma túnica Opus Dei assustadora), havia violência suficiente para um filme de horror de Hong Kong. A cantora e seus exército de dançarinos seguiram no palco repletos de armas; um clone de Tura Satana* (ver nota) lambeu a pistola de Madonna. Durante o intervalo, que mostrou a cantora numa representação de motel dos anos 50, meia dúzia de assassinos mascarados tentaram sequestrá-la. Com muitas armas, ela despachou todos com gosto. A cada tiro, um spray de sangue em alta definição jorrava no telão – mais e mais e mais. Depois de matar seu último criminoso, ela relaxou na cama do motel cenográfico, daí agarrou o “morto” e esfregou a virilha no rosto dele.

Como se não tivéssemos entendido, ela andou orgulhosa até a ponta da passarela, cantando “Morra, seu puto!”, e variações desse tema, o suficiente pra ficar desconfortável.

A Casa de Horrores não estava no fim. Durante uma “Papa Don’t Preach” abreviada, Madonna foi algemada e carregada por artistas usando estranhas e assustadoras máscaras animais; enquanto ela estava nos bastidores, dançarinos sem camisa e com máscaras de gás apresentaram contorções e simulando torturas repugnantes e bem realistas, com movimentos violentos, com o som de ossos sendo quebrados nas batidas de “Best Friend”. Cenas tremidas em preto e branco de um cemitério gótico foram exibidas ao fundo.

Depois do intervalo sangrento e teatral, Madge, misericordiosamente, se transformou numa dançarina de uniforme e pegou um bastão para uma versão clássica e animada de “Express Yourself”, acompanhada por uma banda em fila que pairou no ar até desaparecer. “Oh, yay”, meu amigo disse aliviado. “Vamos ter uma música feliz pra dançar”.

“Express Yourself”, com um vídeo de fundo cheio de bolos, donas de casa, personagens e marinheiros musculosos dos anos 50 foi um alto ponto do cenário por muitas razões: a fidelidade à gravação original, o alto valor de produção, a energia exagerada, e o reconhecimento dissimulado ao débito que os descendentes de Madonna têm com ela. No meio da canção, sem se perder, Madonna saiu de sua música e cantou um verso de “Born This Way”, da Lady Gaga, que é, musicalmente, inquestionavelmente similar a “Express Yourself”. Admiração mútua ou um puxão de orelha? De qualquer forma, os fãs se alegraram por dançar com dois ídolos, o velho e o novo, em um só.

Como uma prerrogativa de realeza, Madonna tomou suas liberdades. Uma pluralidade das músicas do show foi tirada do MDNA, mas o ápice do catálogo dela também foi representado, mesmo que o arranjo da maioria estava totalmente novo. “Like A Virgin” foi cantada de forma melodramática, lenta e triste, com Madonna envolta em um piano. “Justify My Love” tocou enquanto um batalhão de dançarinos vestidos de palhaços ameaçadores se apresentavam. “Holiday”, “Into The Groove” e “Ray Of Light” tocaram sob um montagem de vídeos antigos, zumbindo como um rádio buscando sinal.

Madonna chegou ao palco logo após as 22h30, embora muitos fãs chegaram perto das 20h, horário do ingresso. Contudo, não vi ninguém impaciente com ela. Enquanto seu DJ abria o show tocando “House”, os corredores da arena esgotada pareciam uma grande festa, com multidões de fãs fantasiados bebendo e se enturmando. Havia Escoteiros, Centuriões Romanos e Missionários Mórmons, um Papa, várias freiras, três Marias Antonietas (duas mulheres e um homem) e, claro, múltiplas homenagens aos visuais incônicos de Madonna, representados por ambos os gêneros. (A “cowgirl” da era “Music” num terno branco brigou com a clássica Madonna “Like A Virgin” pelo título de “Mais Popular”.)

Partes do cenário de Madonna eram genuinamente aterrorizantes. Partes eram apaixonadamente transcendentes. Outras, poucas, eram confusas. Ela nos assustou demais, nos emocionou loucamente e provocou de formas que muitos artistas do nível dela nem se atrevem.

Conforme a própria cantora reconheceu, com elogios às fantasias da plateia, é difícil derrotar Nova Orleans numa noite de sábado de Halloween para um show muito bom. Mas, facilmente, Madonna fez exatamente isso. A Turnê MDNA deve ser eternizada.

Review do jornal Greater New Orleans.

Nota: Tura Satana foi uma atriz e dançarina exótica nipo-americana. Referência: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tura_Satana

Review MDNA Tour: Madonna ao vivo – Pop, Política e Poder

Madonna

DENVER, EUA, 26 DE OUTUBRO

Muitos boatos têm sido ditos nas últimas semanas sobre o lado negro, por assim dizer, da turnê “MDNA” de Madonna. E, de fato, há momentos brutais nas duas horas do show. O primeiro segmento, que inclui as novas músicas “Girl Gone Wild” e “Gang Bang”, mostra Madonna massacrando um grupo de assassinos mascarados com uma arma falsa e respingos de sangue ao longo da enorme tela.

“Bang, bang / Te matei / E não me arrependo”, ela sussurrou sobre a lenta batida. O banho de sangue em alta definição fez a multidão do Toyota Center gritar. E tem mais: ela está politizada! Ela canta várias canções novas! Ela apoia os direitos dos homossexuais! E a banda punk feminista Pussy Riot!

“Qual é o problema, você não gosta da minha bunda?”, Madonna perguntou depois de um “strip-tease” em “Human Nature” revelar “Obama” estampado ao longo de suas costas e receber algumas vaias (mas os gritos venceram no final).

“Não subestimem a Democracia”, ela disse à multidão. “Continuo dizendo isso, e vou dizer aonde quer que eu vá. Precisamos apreciar o que temos. Não me importo em quem você vote, mas vote!”.

Mas o imperdoável (pelo menos àqueles que ainda não foram a nenhum show) é o horário de início. Madonna entrou no palco por volta das 22h45. Atrasada, pra ser exato, mas é algo comum se você já a viu em turnês recentes. O DJ/Produtor Martin Solveig abriu o show e foi acompanhado por David, o filho mais novo de Madonna. Poucas pessoas pareceram se importar com a espera.

Na verdade, foi divertido assistir à parada da moda pré-show: perucas rosas e roxas, pulseiras e laços da era “Virgin”, muitas penas e couro, até mesmo ombreiras de futebol cobertas em paetês. Havia faíscas e calças justas e muita maquiagem (grande parte nos garotos). Mais de 2 milhões de fãs terão visto a turnê quando ela chegar na América do Sul, e a atmosfera de festa só vai somar a todo o esplendor.

O show começou em meio a um redemoinho de fumaça e cânticos, com dançarinos vestidos de monges e gárgulas congregando. Madonna apareceu, armada, com a tensão provocante de “Girl Gone Wild”. Elevadores iam pra cima e pra baixo. Imagens piscavam na tela. Daí, a violência, que seguiu a um segmento igualmente nefasto apresentando “Papa Don’t Preach” e “Hung Up”. Mas foi menos “vida real” e mais Russ Myers (ver nota), com Madonna como a perfeita heroína/vilã vestida de couro.

Ela estava em forma e dançando muito, muitas vezes de salto alto, quase em todas as músicas. O show é feito para o Pop em cada ângulo, quase sem intervalos. Uma montagem angustiante preparou “Nobody Knows Me” (do álbum “American Life”) e apresentou dedicatórias a adolescentes gays levados ao suicídio por “Bullying”, incluindo Asher Brown, que frequentava a Hamilton Middle School no Distrito Escolar Independente Cypress-Fairbanks.

Muitos artistas inferiores já passaram pela mesma arena, mas nenhum mostrou a mesma combinação de confiança, carisma e atitude de Madonna.

De muitas formas, a Turnê MDNA é um estudo de contrastes. A abertura frenética abriu espaço para uma sequência radiante e alegre que incluiu uma combinação inteligente de “Express Yourself” e “She’s Not Me”, de Madonna, com “Born This Way”, de Lady Gaga. (Malícia é um pré-requisito pra ser Diva, especialmente com um golpe tão óbvio.) A dançarina Madonna foi acompanhada por bateristas retumbantes, no palco e suspensos no ar, durante “Give Me All Your Luvin’”, e foi impossível não se contagiar no palco primoroso.

O trio de folk Basco Kalakan trouxe um talento cigano para “Open Your Heart”, que apresentou uma participação do filho Rocco, de 12 anos; e “Masterpiece”, a única balada do show, um destaque sincero. “Vogue”, ainda uma perfeição pop, permaneceu virtualmente intocada. Mas “Like A Virgin” foi transformada numa triste valsa.

O trecho final foi repleto de Majestade Pop, da batida disco de “I’m Addicted” à iluminada, animada, entoada pela multidão “Like A Prayer”. A última música “Celebration” foi simplesmente isso – uma tampa efervescente para uma noite de amor, morte, redenção e liberdade de expressão.

(Nota: Russ Myers foi um diretor de cinema e fotógrafo americano conhecido principalmente por ter escrito e dirigido uma série de filmes de baixo custo de exploração sexual, que apresentavam sátiras maliciosas e atrizes com grandes seios.) Joey Guerra

Review do jornal Chron Houston.

Review MDNA Tour: Madonna no controle do American Airlines Center

Madonna

Madonna arrasou em Dallas na noite de Domingo (21), quando se apresentou para uma arena esgotada no “American Airlines Center”. Enquanto no palco Madonna se desculpou por ter cancelado o show de sábado, prometeu cantar com o coração para compensar a noite anterior, e assim fez. Madonna foi uma das poucas artistas que eu nunca tinha visto, então estava muito animado pro show. Mas eu nem imaginava como aquela noite seria incrível.

Os ingressos apontavam o início do show para as 20h. Eu corri, tentando chegar lá a tempo, igual a muitos outros. Um DJ entrou no palco e começou a tocar, daí continuou e continuou. Eram 22h45 antes do verdadeiro show pelo qual a plateia estava esperando, quando Madonna fez uma entrada sem igual e, imediatamente, tomou o controle do palco. A performance começou com uma imagem de Catedral ao fundo, com sinos ressoando e um imenso grupo de monges encapuzados cantando, enquanto macacos voadores e morcegos à la “Mágico de Oz” brincavam ao fundo, e um candelabro cheio de luzes girava ao redor do palco e sobre a plateia. O canto evoluiu para murmúrios mais altos de “Oh, God” até que Madonna fez sua grande entrada.

A noite foi uma mistura de sucessos conhecidos e amados do passado com material do mais novo CD “MDNA”. Todos foram apresentados com uma imensa trupe de dançarinos extremamente talentosos, homens e mulheres. Entre as primeiras canções da noite, do novo CD, estavam “Revolver” e “Gang Bang”, roubando a atenção de todos com as armas de brinquedo e Madonna encenando todo o poder e atirando nos homens mascarados, completando com as grandes telas de vídeo cobertas com respingos de sangue. Um dos vários momentos memoráveis da noite foi o “medley” contendo “Shoo-Bee-Doo” (de onde ele tirou isso, deve ser efeito de alguma droga), apresentando uma coreografia bem complexa, que, pra mim pelo menos, lembrou da cena do telhado do filme “Mary Poppins”. “Vogue” foi outro número bem elaborado, com transformistas desfilando ao redor do palco circular, enquanto Madonna ia orgulhosa. Outros sucessos antigos foram “Express Yourself”, “Open Your Heart” e uma nova versão sexy de “Like A Virgin”. Em um momento do show, havia numerosos bateristas de banda de fanfarra tocando, enquanto estavam suspensos no ar. Eu, como todos perto de mim, não estava muito certo se era real ou uma possível ilusão. Só tenho certeza de que foi impressionante! Todo o show foi demais. O palco em constante mudança e movimento, a iluminação, o som, as fantasias, os dançarinos, sem mencionar a própria Madonna, que transformaram tudo numa performance espetacular.

O show terminou como começou, com o tocar dos sinos, mas, desta vez, o som estava glorioso, um som de celebração. Foi definitivamente uma noite pra ser lembrada. Poucas pessoas saíram antes das luzes se acenderem totalmente. Quando tudo terminou, a enorme multidão, todos com grandes sorrisos no rosto, era uma linda visão. Muitos dos que vão a shows, provavelmente, tinham acabado de experimentar uma das noites mais divertidas de suas vidas. A aparente espera interminável até Madonna aparecer no palco já estava esquecida. Madonna é verdadeiramente incrível, mais ainda depois de todos esses anos (e 247 canções gravadas).

The Examiner - Jill Jackson.

Polêmica: uso de armas no show de Madonna daponta fãs no Colorado

Fãs do Colorado, Estados Unidos, não gostaram da última apresentação de Madonna realizada na última quinta-feira, dia 18, no Pepsi Center, em Denver, de acordo com uma agência internacional de notícias.

Durante a música Gang Bang, Madonna empunhou uma arma de brincadeira enquanto fingia atirar em um criminoso. Ao mesmo tempo, imagens de sangue aparecem espirrando no telão.

Para os que estavam presentes no show, esse episódio os teria feito recordar de um crime da história recente da região – o tiroteio no cinema, na première de The Dark Knight Rises, que matou 12 pessoas e deixou 58 feridos. Foi reportado que alguns espectadores ficaram tão comovidos com a cena durante o show, que deixaram o local.

Várias reclamações foram enviadas para a cantora, e em resposta, a sua assessora de imprensa, Liz Rosenberg, disse que não poderia tirar essa parte da apresentação:

- É como se tirássemos o terceiro ato de Hamlet. A Madonna não faz as coisas bonitas e as amarra com um laço.

Antes de a turnê começar, a cantora deu um depoimento sobre o uso de armas:

- Elas são símbolos de poder, de me fazer aparecer mais forte e achar uma maneira de eliminar a dor. Elas são símbolos de intolerância à dor que eu senti de ter o meu coração partido.

De acordo com o site E! Online, a filial da NBC recebeu inúmeras ligações com reclamações sobre o ocorrido. A população ficou indignada com a falta de sensibilidade da cantora diante dos últimos acontecimentos.

Show de Madonna não decepciona na “gay-friendly” Phoenix quarta à noite

MadonnaSe você tinha suas dúvidas sobre a simpatia gay da área de Phoenix, sua opinião mudaria rapidamente se estivesse presente no concerto de Madonna na quarta-feira, 16 de outubro, no EUA Airways Center, no centro de Phoenix, Arizona.

O show de Madonna estava marcado para começar às 20:30, mas começou um pouco depois, em seguida ao DJ que tocou algumas músicas da rainha do pop. Sua atuação durou pouco mais de uma hora. A multidão irrompeu em aplausos logo após 22:20 quando a gigante cortina “Madonna” desceu revelando o palco por inteiro. As luzes da casa apagaram-se às 22:29 seguido de mais aplausos. Essa foi a deixa para Madonna subir ao palco às 22:30h, com um tema gótico / religioso. Uma luminária gigante para simbolizar incenso era empurrada para baixo bem na frente do público por “monges” vestidos de vermelho.

Lady Gaga fez uma aparição no show de Madonna. Logo após 23:00, Madonna desferiu um golpe contra Gaga enquanto cantava Respect Yourself (Nota do tradutor: na verdade é Express Yourself) intercalando com a letra de Born This Way, da Gaga.

Madonna deu o tom político depois de quase uma hora de show, quando declarou que Obama havia vencido o debate presidencial daquela noite.

Ela disse à multidão que amava até mesmo os republicanos. “Eu sou uma democrata. Mas eu amo você que não é (democrata), porque pregamos tolerância “, disse a diva.

Madonna também fez uma declaração dramática contra o bullying. Ela mostrou o nome AMANDA escrito nas costas. Ela explicou que foi em homenagem à menina canadense de 15 anos, Amanda Todd, que cometeu suicídio por causa de um bullying antigay sofrido pela jovem. A estrela também atacou o terrorismo. Mais tarde, mostrou slides de jovens que cometeram suicídio por serem gays.
Ainda fazendo alusão ao barulho político que causou na Rússia, a diva depois brincou com membros da audiência, “Conseguir um quarto de hotel para rapazes. Você pode até ser preso por isso na Rússia. “Mais tarde, ela acrescentou: “Não há demonstrações públicas de afeto entre os caras a menos que eu estou envolvida.”

Como ficou evidente no show de Madonna, Phoenix tem uma enorme população gay. Para o viajante gay, Phoenix é um dos segredos mais bem guardados dos EUA. A cidade tem de tudo. É claro, querido, que nós temos alguns dos melhores resorts do mundo. Além disso, Phoenix tem uma vida noturna LGBT vibrante e todas as atrações culturais de qualquer outra grande cidade. A Secretaria de turismo da cidade, aliás, mantém uma seção em seu site oficial para receber os visitantes gays.

A cidade também oferece algumas belezas naturais fora de seu centro urbano. Por exemplo, antes de participar do show de Madonna, este repórter foi para uma visita à um deserto a menos de uma hora fora da cidade com a empresa de turismo Green Zebra Adventures. Com os “Tom Cars”, desenvolvidos pelo exército israelense, o Green Zebra leva grupos em excursão de dois por carro sobre terreno acidentado, por aqueles cactos gigantes que você vê nos filmes e que são o símbolo do Arizona. O passeio também passa o Rio Verde, onde você provavelmente vai ver alguns dos mustangs selvagens que descem rio abaixo em busca de água fresca.

Para os viajantes homossexuais, Phoenix é rica em opções de hotéis. O mais gay-friendly é o Hotel Palomar (que tem como referência os Hotéis Kimpton em San Francisco) e fica do outro lado da rua do US Airways Center. Há rumores de que a diva se hospedou nesse hotel. Como é típico dos Hotéis Kimpton, a propriedade é de primeira e Madonna se acomodaria muito bem lá. O Hotel Palomar também está convenientemente localizado no centro da cidade, no bairro mais novo da cidade, o City Scape.

Se você não se importa de estar longe do centro da cidade, um dos resorts ao sudoeste mais exclusivos fica em Phoenix. O histórico do Arizona Biltmore Hotel Resort é onde alguns dos líderes mais poderosos do país se reuniram para ficar longe de tudo, enquanto desfrutavam do sol que fez Phoenix famosa. A propriedade também é muito gay friendly e tem um fiel público gay.
Se você não acha que pode obter uma boa dose de cultura em Phoenix, pense novamente. O Museu Heard localizado no centro mostra a cultura indígena americana. O mais novo museu de Phoenix é o Museu dos Instrumentos Musicais. Foi fundado pelo CEO (Chief Executive Officer) Bob Ulrich e abriu suas portas em abril de 2010.

Indo à Phoenix não deixe de visitar o centro de Tempe. Claro, Tempe é o lar da Arizona State University e sem dúvida a universidade ajuda a contribuir e muito com a vibrante vida local. A rua principal de Tempe é a Mill Street (Rua do Moinho), pois antes de ser uma cidade universitária, era uma cidade industrial. Agora é uma das cidades mais tranquilas do Arizona. Lojas de luxo, de moda e restaurantes pontilham seu centro. Você pode usar a linha de metrô a partir do centro da cidade de Phoenix para Tempe poucos minutos. Tempe claro, é também muito gay-friendly. Um se seus ex-prefeitos é Neil Giuliano, ainda mantém uma residência lá.

Vizinho a Scottsdale, é a casa do San Francisco Giants durante seu treinamento de primavera. Também é muito gay-friendly e é a casa do marco gay bar BS, que está no coração da cidade velha da cidade. Scottsdale é também a casa do popular Hotel Valley Ho e do famoso Scottsdale Fashion Square o shopping mais famoso do Arizona.

The Examiner

REVIEW: Madonna surpreende a plateia de Los Angeles com show espetacular

Madonna

THE EXAMINER: Nota para Madonna  no Staples Center – 5

Madonna está vindo para Las Vegas neste fim de semana. Se você ainda não comprou seu ingresso, vai perder um dos concertos mais espetaculares e teatrais já produzidos. O  desempenho da MDNA Tour noite passada no Staples Center, em Los Angeles,  não só reafirma a posição de Madonna como ícone gay supremo, como também mostra que ela não é uma artista antiga ou ultrapassada e sim que ela está mais relevante do que nunca.

Controvérsia

A controvérsia em torno deste show tem sido muito exagerada. A divulgação das fotos do show significa, muitas vezes, que elas foram mostradas fora do contexto. As armas eram apropriadas para uma metáfora sobre a vida de Madonna. O exibicionismo não era um pouco sexual, e sim, a maneira que Madonna encontrou para afirmar o seu poder e dar um basta ao sexismo e preconceito de idade.

A controvérsia sobre o setlist é válida, já que o show tem demais no MDNA, seu álbum mais recente, que é um disco mediano e não merecia estar em quase metade do espetáculo.

Escuro

O início do show foi muito escuro. Madonna abriu com uma temática religiosa em “Girl Gone Wild”, e logo depois “Revolver”, com acrobacias incríveis e armas atirando. Ela, então, entrou em “Gang Bang”, que teve sangue respingado, linguagem chula, etc. Foi mais cômico do que qualquer outra coisa e o público pareceu não se incomodar.

O destaque da primeira parte foi “Hung Up”, em que Madonna foi arrastada para uma “slackline” (linha bamba ou corda bamba, na tradução literal), por pessoas representando demônios. Ela andou sobre as cordas, simbolizando que há uma linha tênue entre o céu e o inferno.

Emocionante

A segunda parte do show começou com “Express Yourself” e mostrou Madonna no discutível uniforme de majorette. Parece horrível nas fotos, mas funciona muito bem ao vivo. Ela cantou um pedaço de “Born This Way” da Lady Gaga e também de “She’s Not Me”, do álbum “Hard Candy”. Felizmente, este não foi um ataque desesperado contra Mother Monster; pareceu muito mais como um tributo, com Madonna dizendo que elas não são a mesma artista e que as pessoas deveriam parar de compará-las.

Político

Antes de cantar seu hit “Holiday”, Madonna teve tempo para conversar com o público sobre os direitos dos homossexuais. Isso trouxe lágrimas aos olhos de muitos homens gays na plateia que foram abandonados por amigos, família, etc. só por causa de sua sexualidade. Os direitos dos homossexuais podem ter melhorado nos últimos dez anos, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Madonna também falou sobre a adolescente Malala Yousafzai, que foi baleada por membros do Taliban por reivindicar melhores condições de educação em seu  blog. As lágrimas correram pelo rosto de Madonna e o público ficou tocado por ver que ela  realmente tem qualidades humanas.

Ao contrário de uma Virgem

A única parte ligeiramente desanimada do show foi quando Madonna cantou “Like a Virgin” como um número de cabaré barato. Várias pessoas na plateia aproveitaram para ir ao banheiro ou foram pegar uma bebida, mas ela recebeu muitos aplausos calorosos ao terminar o número. Mas a coisa mudou quando ela cantou “Love Spent” do álbum MDNA, logo depois.

Like a Prayer

O penúltimo número no show foi “Like a Prayer”. Este tem  sido a desempenho mais destacado a cada apresentação de Madonna. Foi muito alegre, espiritual e levou todos a dançar. Todos foram totalmente tomados pela emoção. Este foi o ponto do show onde Madonna ficou mais conectada com o público.

A apresentação final da noite foi “Celebration”, que contou com uma  incrível iluminação e números de dança bem loucos. É comum, muitos na plateia saírem durante a última música. Esse não foi o caso com esta canção, embora seja possível que alguns já esperassem algum tipo de bis.

Conclusão

Lady Gaga, Kesha, Rihanna e Katy Perry podem até ser mais legais para a geração mais jovem do que Madonna atualmente é, mas o show da noite passada demonstrou quão à frente dessas artistas Madonna ainda está. E o reinado da Rainha Pop acaba de ser prorrogado.

Madonna dedica Human Nature a jovem paquistanesa baleada pelo Talibã

Madonna

O atentado a tiros contra a jovem ativista paquistanesa Malala Yousafzai, conhecida por seu trabalho em prol da educação feminina, continua a gerar uma corrente de solidariedade ao redor do mundo. Na noite de quarta-feira (10), no show do MDNA Tour em Los Angeles, foi a vez de Madonna, que dedicou a música “Human Nature” à garota de 14 anos, baleada na cabeça e no pescoço em uma ação do Talibã na terça-feira (9):

“Isso me fez chorar. A menina de 14 anos que escrevia um blog sobre como era ir à escola. O Talibã parou seu ônibus e atirou nela. Vocês têm ideia de quão doentio é isso? Apoiem a educação, apoiem as mulheres,” disse Madonna ao público do Staples Center, em Los Angeles, antes de começar “Human Nature”, cujos versos defendem a livre expressão. “Uma das coisas que tenho percebido durante minhas viagens é o quão sortudo nós americanos somos. Somos um país imperfeito, com um governo também imperfeito, mas posso te dizer, eu estive na Ucrânia e na Rússia… Preciso lembrá-los que as integrantes do Pussy Riot ainda estão presas? Em São Petersburgo, 75 homens foram presos por serem gays… Essa canção é para você, Malala!”

Nesta quinta-feira (11), Malala foi transferida de um hospital na cidade de Peshawar para um centro médico militar em Rawalpindi, mais distante da área de influência do Talibã. A jovem foi baleada quando voltava da escola. Na quarta, a bala que perfurou sua cabeça foi removida. Hoje, os médicos que tratam da ativista informaram que ela movimentou braços e pernas na noite passada. Outras duas meninas foram atingidas no ataque de terça-feira. Uma está fora de perigo, enquanto a outra continua em condições críticas.

- Rezem por ela – pediu o tio de Malala, Faiz Mohammad, quando a sobrinha deixava o hospital de Peshawar rumo a Rawalpindi.

Dentro e fora do Paquistão, continuam as manifestações contrárias ao ataque contra Malala, que ganhou notoriedade em 2009, com o blog no qual relatava o cotidiano de uma estudante diante das restrições impostas pelo Talibã. Nesta quinta, foi a vez do ex-premier britânico Gordon Brown, hoje enviado especial da ONU para a educação global, que visitará o Paquistão no mês que vem:

“Pedi ao presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, para que o sofrimento de Malala não seja em vão. (…) Agora que o nome dela ficou conhecido em todo o mundo, espero que o atentado contra ela leve a muito mais que uma simples retórica sobre mudanças”, escreveu Brown em artigo publicado em sites como o Huffington Post.

Ao mesmo tempo, clérigos muçulmanos do Conselho Sunita Ittehad emitiram uma fatwa (lei islâmica) no qual dizem que o ataque do Talibã contra Malala atende a uma interpretação incorreta do Islã – em comunicado, o grupo fundamentalista justificou o ataque dizendo que Malala era uma militante pró-Ocidente e “símbolo dos infiéis”. Em Lahore, a segunda maior cidade do Paquistão, diversas entidades civis organizaram vigílias por Malala. Na capital, Islamabad, senadores de espectros políticos opostos condenaram o ataque contra a jovem, mas aproveitaram a comoção despertada pelo crime para culpar seus respectivos adversários por suas políticas de segurança.

Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon; o presidente americano, Barack Obama; sua secretária de Estado, Hillary Clinton; e várias lideranças políticas paquistanesas divulgaram mensagens de repúdio ao atentado contra Malala.