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Crítica: álbum ‘Like A Prayer’, de Madonna, 25 anos

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Pra comemorar o 25º aniversário, eis uma lembrança de cada faixa do clássico álbum Like A Prayer, de 1989. No início daquele ano, o mundo conhecia Madonna como uma provocadora pop com um estilo sexy e excêntrico. Ela era a maior celebridade feminina do planeta e, mesmo com toda a fama, poucos sabiam quanta dor e dúvida aquela católica de 30 anos que encarava um divórcio vivia. Com Like A Prayer, tudo mudaria.

Gravado durante o término de seu casamento com o ator Sean Penn, Like A Prayer fora o álbum mais introspectivo e eclético de Madonna até então. Diferente dos três antecessores, este misturou um rock clássico e psicodélico com os mais modernos sons de sintetizadores. E agora, um quarto de século depois do lançamento no dia 21 de março de 1989, o álbum não parece nem um pouco antigo. Liricamente, ele fala de crescimento, a superação de um romance ruim, e fazer as pazes com Deus e com a família. Pelo menos duas músicas estão centradas na morte da mãe de Madonna, um trauma de infância que teve grande influência no processo de criação de sua personalidade.

madonna like a prayer album 25 anos years

Antes de Like A Prayer ser lançado, Madonna esclareceu que este não seria apenas mais um álbum. Três semanas antes do lançamento, ela estreou o clipe da faixa-título, o primeiro dos cinco singles top 20. Com imagens de assassinato, amor inter-racial e cruzes em chamas, o clipe contrapôs ideias religiosas e êxtase sexual, deixando algumas pessoas confusas e fazendo todos comentarem. Os Católicos a denunciaram, a Pepsi cancelou os comerciais com ela (e terminou com os planos de patrocinar a turnê). Os fãs, claro, engoliram tudo.

Deixando a controvérsia de lado, Like A Prayer está entre os melhores momentos de Madonna e, ao longo das próximas 10 faixas, o álbum não decepciona. Ele é rítmico, comovente e até um pouco esquisito. Enquanto Madonna é uma artista pura, este álbum é uma de suas melhores coleções. Leia a crítica de faixa a faixa:

Like A Prayer

Que forma ótima de começar um álbum. Primeiramente, guitarras distorcidas e um forte baque. Daí, um canto gospel enigmático e revigorante. É a junção de Thriller com o misticismo católico, e Like A Prayer é ótima mesmo sem o vívido clipe. Não é de se estranhar que chegou ao primeiro lugar logo um mês após o lançamento.

Express Yourself

A festa continua da igreja à elevação de Madonna, na qual ela observa suas joias e os lençóis de seda, e decide que prefere ter um homem que se conecta aos seus sentimentos. É sua versão bem alta e vibrante de Can’t Buy Me Love, e subiu ao segundo lugar.

Love Song

Esta colaboração entre Madonna e Prince é o equivalente dos anos 80 à parceria da Mulher Maravilha com o Batman. Com o seu poder de estrela, a faixa é leve, e, com o típico som da guitarra de Prince em meio aos sintetizadores de Madonna, as divergentes sensibilidades musicais seguem o tom da letra – eles não se conectam tão bem.

Till Death Do Us Part

Com o fim do casamento tumultuado com o ator Sean Penn, Madonna reflete sobre as brigas tornadas públicas – “Ele começa a gritar, os vasos voam” – e a distância emocional que condenou o casal. A guitarra e o teclado criam o sentimento de cansaço que contrasta bem com os vocais cheios de atitude de Madonna.

Promise To Try

Claramente uma canção direta sobre a morte da mãe de Madonna, esta balada no piano é realmente complexa. Ela canta para si mesma aos 5 anos de idade, e, além de dar conselhos – “Não esqueça do rosto dela” – ela pede perdão. Ela sabe que errou e teme ter decepcionado a mãe e a si mesma.

Cherish

Uma bem-vinda sobrevida após Promise To Try, o terceiro single do álbum é uma canção alegre sobre o amor verdadeiro. A única razão concebível para esta não ter chegado ao primeiro lugar: A América gosta da Madonna mais provocativa.

Dear Jessie

Esta divertida fantasia pop poderia ter vindo do álbum Around The World In A Day, do Prince, embora ele não tenha nada a ver com a canção. Madonna a compôs e produziu com Patrick Leonard, cuja filha foi a inspiração. Ouvindo novamente, é óbvio que Madonna estava destinada à maternidade.

Oh Father

Uma companhia a Promise To Try, esta canção sobre a tensa relação de Madonna com o pai não abre muito espaço para imaginação. Quando criança, ela se sentiu traída pela decisão dele de se casar novamente e, em uma entrevista em 1989, ela levou seu espírito rebelde e independente de volta ao sentimento de solidão que sentira ao ter seu pai “roubado” pela madrasta. Apesar de dificilmente ser uma faixa bacana, ela ressoou aos ouvintes e chegou ao número 20.

Keep It Together

Conforme as oito faixas anteriores atestam, Madonna teve alguns problemas familiares. Mas, nesta faixa vibrante, ela oferece paz ao pai e aos irmãos, insistindo que o sangue é “mais forte do que qualquer circunstância”. Na oitava posição nas paradas em março de 1990, Keep It Together tem uma melodia tensa.

Spanish Eyes

Esta balada com sabor latino fala tanto sobre AIDS quanto sobre violência de gangues, e a ambiguidade – um tema de debate entre os fãs até hoje – mostra o quão longe Madonna chegara desde Everybody e Borderline.

Act Of Contrition

Tendo usado as últimas 10 faixas para cavar emoções profundas, Madonna relaxa um pouco. Com guitarras de lamento e loops ao avesso, ela esvazia os pensamentos, sem a certeza de estar confessando seus pecado e reservando um lugar no Céu ou um quarto em um hotel da moda. “Como assim, não está no computador?”, ela pergunta, terminando a faixa à verdadeira moda de Madonna, com a boa e velha piscadinha.

Fonte: (Billboard)

MDNA é o 17º CD mais vendido vendido no BRASIL em 2012 barrando muitos

CDs mais vendidos no BRASIL EM 2012 – Madonna MDNA álbum é o 17º mais vendido do ano na frente de IVETE e de muitos artistas. MADONNA ficou atrás apenas de ADELE (nenhuma surpresa)….Parabéns Madonna !

OBS: Tiragens = vendas para as lojas, que não podem ser devolvidas.

Parabéns pelo sucesso de Madonna e MDNA no Brasil. Eis o Top 100 dos mais vendidos de 2012:

#1 Esse Cara Sou Eu – Roberto Carlos
2012 – 1.500.000 cópias

#2 Meus Encantos – Paula Fernandes
2012 – 400.000 cópias

#3 Ágape Musical – Padre Marcelo Rossi
2011 – 375.000 cópias

#4 Ágape Amor Divino – Padre Marcelo Rossi
2012 – 300.000

#5 Live at The Royal Albert Hall – Adele
2011 – 285.000 cópias

#6 Quando Chega A Noite – Luan Santana
2012 – 200.000 cópias

#7 Carrossel – Vários
2012 – 200.000 cópias

#8 No Meu Interior Tem Deus – Padre Fábio de Melo
2011 – 170.000 cópias

#9 Carrossel Vol. 2 – Vários
2012 – 150.000 cópias

#10 Em Jerusálem – Roberto Carlos
2012 – 150.000 cópias

#11 Extraordinário Amor De Deus – Aline Barros
2011 – 145.000 cópias

#12 Real Fantasia – Ivete Sangalo
2012 – 130.000 cópias

#13 Sambas de Enredo 2012 – Vários
2012 – 120.000 cópias

#14 21 – Adele
2011 – 120.000 cópias

#15 Essência – Jotta A
2012 – 120.000 cópias

#16 Michel na Balada – Michel Teló
2011 – 116.000 cópias

#17 MDNA – MADONNA
2012 – 105.000 cópias

#18 Estação Sambô Ao Vivo – Sambô
2012 – 1 00.000 cópias

#19 Ousadia & Alegria – Thiaguinho
2012 – 100.000 cópias

#20 Multishow Ao vivo no Madison Square Garden – Ivete Sangalo
2010 – 100.000 cópias

#21 Mais Uma Página – Maria Gadú
2011 – 90.000 cópias

#22 Avenida Brasil – Vários
2012 – 87.000 cópias

#23 Ao Vivo Em Floripa – Victor & Leo
2012 – 80.000 cópias

#24 Redescobrir – Maria Rita
2012 – 80.000 cópias

#25 Believe – Justin Bieber
2012 – 80.000 cópias

#26 Take Me Home – One Direction
2012 – 75.000 cópias

#27 A Hora É Agora – Jorge & Mateus
2012 – 70.000 cópias

#28 O Que Você Quer Saber de Verdade – Marisa Monte
2011 – 62.000 cópias

#29 Up All Night – One Direction
2011 – 60.000 cópias

#30 Paula Fernandes Ao Vivo – Paula Fernandes
2011 – 60.000 cópias

#31 Ao Vivo – Rebeldes
2012 – 60.000 cópias

#32 Especial – Ivete, Gil e Caetano
2012 – 50.000 cópias

#33 Zezé Di Camargo & Luciano – Zezé Di Camargo & Luciano
2012 – 50.000 cópias

#34 Acústico Na Ópera de Arame – Fernando & Sorocaba
2012 – 50.000 cópias

#35 Teenage Dream: The Complete Confection – Katy Perry
2010 – 43.500 cópias

#36 30 Anos – Aline Barros
2012 – 42.000 cópias

#37 Negalora Ao Vivo – Claudia Leitte
2012 – 40.000 cópias

#38 Red – Taylor Swift
2012 – 40.000 cópias

#39 Sensações – Péricles
2012 – 40.000 cópias

#40 Ensaio de Cores Ao Vivo – Ana Carolina
2011 – 40.000 cópias

#41 Sale El Sol – Shakira
2010 – 40.000 cópias

#42 Mylo Xyloto – Coldplay
2011 – 37.000 cópias

#43 Kiss – Carly Rae Jepsen
2012 – 30.000 cópias

#44 19 – Adele
2008 – 30.000 cópias

#45 Oásis de Bethânia – Maria Bethânia
2012 – 30.000 cópias

#46 O Disco Do Ano – Zeca Baleiro
2012 – 27.000 cópias

#47 Gusttavo Lima E Você – Gusttavo Lima
2011 – 25.000 cópias

#48 Reza – Rita Lee
2012 – 25.000 cópias

#49 Born To Die – Lana Del Rey
2012 – 22.500 cópias

#50 Overexposed – Maroon 5
2012 – 22.000 cópias

#51 Unapologetic – Rihanna
2012 – 20.000 cópias

#52 Rua Dos Amores – Djavan
2012 – 20.000 cópias

#53 Pecado de Amor – Eduardo Costa
2012 – 20.000 cópias

#54 Essencial – Jorge & Mateus
2012 – 20.000 cópias

#55 Speak Now World Tour Live – Taylor Swift
2011 – 20.000 cópias

#56 Inedito – Laura Pausini
2011 – 20.000 cópias

#57 Folia e Caos, Multishow Ao Vivo – Jota Quest
2012 – 20.000 cópias

#58 Box – Los Hermanos
2012 – 20.000 cópias

#59 Luiz Gonzaga: Baião de Dois – Vários
2012 – 15.000 cópias

#60 Guerra dos Sexos – Vários
2012 – 15.000 cópias

#61 Em Comum – NXZero
2012 – 15.000 cópias

#62 Sambô – Sambô
2012 – 15.000 cópias

#63 Raça Negra E Amigos Ao Vivo – Raça Negra
2012 – 15.000 cópias

#64 Own The Night – Lady Antebellum
2011 – 15.000 cópias

#65 Talk That Talk – Rihanna
2011 – 15.000 cópias

#66 Caravana Sereia Bloom – Céu
2012 – 15.000 cópias

#67 Kisses on the Bottom – Paul McCartney
2012 – 15.000 cópias

#68 En Vivo! – Iron Maiden
2012 – 15.000 cópias

#69 Treme – Gaby Amarantos
2012 – 14.000 cópias

#70 Dance Again… The Hits – Jennifer Lopez
2012 – 13.000 cópias

#71 Unbroken – Demi Lovato
2011 – 13.000 cópias

#72 GRRR! – The Rolling Stones
2012 – 12.000 cópias

#73 25 Anos – Asa De Águia
2012 – 10.000 cópias

#74 Saturno – Capital Inicial
2012 – 10.000 cópias

#75 Music From Another Dimension! – Aerosmith
2012 – 10.000 cópias

#76 Princípios, Meios e Fins – Sandy
2012 – 10.000 cópias

#77 Festa Kids – Kelly Key
2012 – 10.000 cópias

#78 Hei, Afro – Cidade Negra
2012 – 10.000 cópias

#79 Lado A Lado – Vários
2012 – 10.000 cópias

#80 The Spirit Indestructible – Nelly Furtado
2012 – 10.000 cópias

#81 Rock In Rio – Jota Quest
2012 – 10.000 cópias

#82 Rock In Rio – Skank
2012 – 10.000 cópias

#83 Rock In Rio – Capital Inicial
2012 – 10.000 cópias

#84 The Music, Volume 7 – Glee Cast
2011 – 10.000 cópias

#85 Acústico MTV – Arnaldo Antunes
2012 – 10.000 cópias

#86 Push And Shove – No Doubt
2012 – 8.000 cópias

#87 Havoc And Bright Lights – Alanis Morissette
2012 – 8.000 cópias

#88 Lioness: Hidden Treasures – Amy Winehouse
2011 – 8.000 cópias

#89 When The Sun Goes Down – Selena Gomez & The Scene
2011 – 7.500 cópias

#90 The Singles Collection – Britney Spears
2009 – 7.500 cópias

#91 Lotus – Christina Aguilera
2012 – 6.000 cópias

#92 The Beginning – The Black Eyed Peas
2010 – 5.500 cópias

#93 The Truth About Love – Pink
2012 – 5.000 cópias

#94 Ao Vivo Em Londrina – Thaeme & Thiago
2012 – 5.000 cópias

#95 Multishow Ao Vivo – Adriana Calcanhotto
2012 – 5.000 cópias

#96 Chico – Chico Buarque
2011 – 5.000 cópias

#97 Fastlife – Joe Jonas
2011 – 5.000 cópias

#98 B In the Mix: The Remixes vol. 2 – Britney Spears
2011 – 5.000 cópias

#99 Who You Are – Jessie J
2011 – 5.000 cópias

#100 Recanto – Gal Costa
2011 – 5.000 cópias

http://vendasdealbunsbrasil.tk/

‘Remixed & Revisited’ de Madonna: 9 anos de lançamento

MadonnaEm 2003, Madonna celebrou seus 20 anos de carreira, para isso, um box set com seus álbuns foi cogitado pela Warner para comemorar a data especial, mas, ao invés, decidiram por um EP de remixes com faixas do álbum “American Life” e dois extras.

Uma faixa inédita de 1994, “Your Honesty”, gravado nas sessões do álbum “Bedtime Stories”, foi finalmente lançado em um CD de Madonna.  Além dele, um remix de “Into the Groove” com “Hollywood”, que fez parte da campanha de 2003 de Madonna para a GAP juntamente com Missy Elliot também entrou no álbum.

As outras faixas incluídas são a performance ao vivo de “Like a Virgin” e “Hollywood” no MTV Video Music Awards de 2003, que causou grande controvérsia (a performance) com Madonna beijando as cantoras Britney Spears e Christina Aguilera. O lançamento chegou ao número 115 da Billboard 200 nos Estados Unidos (vendendo 114 mil unidades nos EUA). O novo EP de Madonna recebeu críticas mistas dos críticos. O álbum de remixes também marcou o seu fim de contrato com a Maverick Records.

As vendas do EP giram em torno de 1,6 milhão de unidades em todo mundo.

“Nothing Fails” (Nevins Mix) – 3:50
“Love Profusion” (Headcleanr Rock Mix) – 3:16
“Nobody Knows Me” (Mount Sims Old School Mix) – 4:44
“American Life” (Headcleanr Rock Mix) – 4:01
“Like A Virgin/Hollywood” Medley c/ Christina Aguilera, Britney Spears & Missy Elliott (2003 MTV VMA Performance) – 5:34
“Into The Hollywood Groove” c/ Missy Elliott (The Passengerz Mix) – 3:42
“Your Honesty” (Canção inédita) – 4:07

Vídeos da fase

GAP Comercial

Vídeo Music Awards 2003 – Like A Virgin/Hollywood com Britney Spears e Christina Aguilera

Crítica: Madonna exibe seus “bens” na Arena Philips, em Atlanta

Ouviu-se no banheiro feminino no final do show de Madonna: “Ela era boa. Agora, ela está tão…estranha”.

Madonna

Uma das figuras mais extremistas da história da música popular sendo classificada como incomum não é novidade. Madonna se tornou Madonna não por causa de sua habilidade vocal limitada ou coreografias criativas – ela o fez baseada numa habilidade provocativa sem igual, uma mente sagaz para negócios e ótimas colaborações de composições que ajudaram-na a criar dezenas de músicas pop atemporais.

Agora, ela tem 54 anos, intensamente consciente de que não conseguirá apresentar um show de duas horas equivalente a um espetáculo da Broadway noite após noite por quase 6 meses, ou que ficar apenas de sutiã preto e calcinha, como fez no show na Arena Philips, não lhe dará assobios e gritos por seus firmes “bens” pra sempre.

Tais óbvias realizações explicam a grandiosidade explícita deste show, uma produção tremenda que, às vezes, apresentou bateristas suspensos sobre o palco, cubos iluminados e impressionantes, 15 dançarinos em vários figurinos chamativos, exibindo peitorais musculosos (os homens, claro) e um alegre show de moda durante Vogue. A líder Madonna quase não teve tempo de beber água e, enquanto não pode ser criticada por muitas coisas – como o Auto-Tune desenfreado e a cantoria questionável durante coreografias pesadas – ela vai à exaustão no palco, pelo benefício de um show de primeira.

A extravagância foi dividida em quatro seções/temas, que inicialmente continham um monte de violência besta. Revolver e Gang Bang apresentaram-na ostentando uma arma, ondas de sangue inundando a enorme tela, de quase 1km de altura, sempre que ela matava um bandido no estilo “vilão de James Bond”.

Na verdade, muito da primeira parte do show pareceu uma produção do Cirque du Soleil. Você está lá, confuso, mas não quer desviar o olhar com medo de perder aquele segundo precioso. Daí, novamente, a julgar pelo número de pessoas que passaram a maior parte do show mandando mensagens de texto e vendo fotos nos telefones, talvez Madonna tenha saído muito de seu curso, sem, ao menos, suavizar nossas tendências tecnológicas.

Mas se há uma queixa legítima sobre esta turnê, não é que ela tocou músicas do MDNA, seu último álbum. O que você esperava? O problema é que apenas algumas dessas canções são boas o bastante pra garantir o foco.

A acústica e linda Masterpiece, apresentada com o trio basco Kalakan, foi um ponto alto do show, que começou às 22h30, fato frequentemente mencionado desde que a turnê começou. Além dela, a irritável I Don’t Give A…, que apresentou Nicki Minaj no vídeo, deve ter sido um sucesso em outra era musical. Mas muitas outras – I’m Addicted, Girl Gone Wild – são esforços esquecíveis, enquanto Gang Bang é, meramente, um refrão chato sobre uma batida latejante e guitarras frenéticas.

Claro que haverá fãs do show, esgotado, que irão reclamar que Madonna não cantou sucessos suficientes, e eles teriam razão. Mas, na última década, nenhuma turnê de Madonna incluiu mais do que alguns dos hits dos anos 80, e a maioria destas canções foram tão recriadas, que ficaram irreconhecíveis.

Pelo menos no sábado, os fãs receberam uma Papa Don’t Preach mais fiel, uma Vogue excitante e uma versão tradicional de Open Your Heart, novamente com Kalakan. A única falha verdadeira foi transformar Like A Virgin numa supostamente ardente canção, que Madonna apresentou com o sutiã supracitado e calças, primeiramente elevadas na linha do estômago, no fim da passarela, e depois sobre um piano, no estilo do filme Os Fabulosos Irmãos Baker. Claro que seria ridículo se ela cantasse a versão original, mas transformá-la em lixo não foi a melhor escolha.

Àqueles ansiosos pela Madonna vintage, ela fez uma aparição mais cedo no show, quando, vestida com o figurino de baterista de banda e mostrando um pouco da coreografia com os pompons – algo que você não verá em qualquer jogo de futebol colegial – ela apresentou Express Yourself. No meio da canção, Madonna chegou ao refrão de Born This Way, de Lady Gaga, provando que ela rouba a mesma linha melódica, daí enfiou a faca no melhor estilo Madonna adicionando o refrão de sua própria She’s Not Me.

Entendido! A questão é a seguinte: mesmo quando Madonna está criando e apresentando um show que é mais pro seu próprio interesse do que para agradar fãs que ainda usam luvas de renda e rendem-se aos seus shows…é uma evolução necessária!

Podemos nem sempre concordar com as direções dela, mas, como Minaj lembra no fim de I Don’t Give A…: “Só há uma rainha, e é Madonna”. Access Atlanta

Crítica: Quando Madonna deixará de ser relevante?

Mark Kemp – Creative Loafing

Madonna

Quando Madonna comicamente anunciou aos fãs do Verizon Center, em Washington, no dia 24 de setembro, que “temos um Muçulmano negro na Casa Branca”, ela jogou a merda no ventilador. Foi como se os abutres da cultura nacional sofressem outro caso de amnésia pop-cultural. Esta é Madonna, afinal. E Madonna será Madonna.

Como ovelhas, todos obrigatoriamente resmungaram no Twitter e no Facebook pra registrar seu horror. Foram inteligentes também, sendo que os considero bem astutos. Pessoas conhecidas ou com quem trabalhei muitas vezes nos últimos 15 anos – jornalistas musicais e críticos, especialistas, assessores de imprensa, o pessoal do rádio, músicos, até mesmo amigos de faculdade e conhecidos do colégio. Com os dentes rangendo e as bocas espumando, eles pularam desenfreadamente pra atacar Madonna novamente. Foi bem nostálgico.

Um escritor e ex-repórter da Billboard de Los Angeles ligou um artigo do jornal Huffington Post na página do Facebook com o título “Madonna chama Obama de ‘um Muçulmano negro na Casa Branca’”. Claro, ele também fez um comentário: “Deixe esta vaca lerda e louca por atenção se meter no diálogo político e ajudar a perpetuar uma das mais duradouras e errôneas concepções sobre o presidente”.

É sério? Sim. 57 pessoas curtiram a postagem dele e 35 comentaram, incluindo “Ela é tão idiota quanto um saco de martelos”; “Ela é uma vaca sem talento, sem cérebro e idioooota, sem senso de humor”; “Ela é uma puta, um verme estúpido”; e “Vamos lembrar que ela ainda exibe os seios nos shows”.

Você imaginaria que esses profissionais da indústria da música eram estudantes colegiais debatendo sobre uma líder de torcida popular, mas notoriamente rebelde, durante o almoço. Na verdade, eram pessoas de 40, 50 e até 60 anos de idade, debatendo sobre alguém que eles vêm seguindo de perto ao longo das últimas três décadas. Alguém que tem sido parte integral da cultura popular americana. Alguém que vem se expressando há muito tempo em músicas abusadas e bem-sucedidas, além de álbuns e performances, sempre aumentando o nível para mulheres da indústria da música e expandindo as definições de uma cantora pop e um ícone cultural popular. E lá estava ela – aos 54, a líder de torcida mais rebelde da América – na estrada já há um tempo, promovendo seu mais recente álbum, MDNA. E alimentando mais ainda a fúria no Facebook.

Agora na etapa final de uma turnê que começou em Tel Aviv em maio, Madonna seguiu para Charlotte no dia 15 de novembro para uma performance na Time Warner Cable Arena. Ela provocou controvérsia novamente? Esta sequer é uma pergunta significativa?

A grande novidade em setembro não foi que Madonna fez uma observação impactante durante um show em DC (seria novidade se ela não tivesse feito algo impactante). Não, a novidade foi que Madonna ainda trabalha e diz coisas que acendem uma paixão assim, tanto positiva quanto negativa, em 29 anos de carreira. A pergunta “Madonna ainda é relevante?” tem sido um mantra por quase 28 desses anos. Tudo começou em 1984, após o lançamento do segundo álbum e do convite pra cantar o até então o novo sucesso, “Like A Virgin”, no Video Music Awards, da MTV. Ela finalizou se arrastando no palco em um vestido de noiva, exibindo um pouco da virilha e cantando levemente fora do tom numa faixa pré-gravada. Após a performance, no primeiro de muitos pronunciamentos subsequentes, especialistas tocaram o sino da morte: Madonna desesperadamente procura chocar as pessoas; ela está acabada, pronto! Próxima!

Madonna não apenas estava em alta, mas se encontrava no meio de três álbuns maravilhosos, cortesia de colaborações muito boas com gênios dos estúdios, incluindo seu ex-namorado Jellybean Benitez, Nile Rodgers e Stephen Bray. Ao longo dos cinco anos seguintes, ela se casou e divorciou de Sean Penn, apareceu na Broadway na peça Speed The Plow, de David Mamet, estrelou no sucesso de público e crítica Procura-se Susan Desesperadamente e no fracasso Quem É Essa Garota?, e se tornou vítima de inúmeras piadas sobre punks e roqueiros. Ainda assim, foi tratada como estrela por membros da realeza do cenário alternativo: Sonic Youth e Mike Watt, do Minutemen, cujo projeto paralelo Ciccone Youth foi tanto uma homenagem, quanto uma paródia.

A primeira grande mudança artística de Madonna aconteceu em 1989 com Like A Prayer, o álbum que muitos – inclusive eu – ainda consideram a obra-prima dela. Depois de batalhar com seu querido pai e com a Igreja Católica em Papa Don’t Preach três anos antes, Madonna levou seus problemas religiosos à frente na faixa título do álbum e no clipe, repleto de ícones católicos sagrados/profanos: cruzes em chamas, cicatrizes e uma fantasia sexual com um santo. “Coube certo com o meu espírito da época, na questão de se impor às autoridades masculinas, seja o Papa ou a Igreja Católica ou meu pai e suas maneiras conservadoras e patriarcais”, ela disse à Rolling Stone em 2009. Em Express Yourself, do mesmo álbum, ela apelou a uma nova geração de jovens mulheres para que saíssem da sombra de seus namorados e tomassem o controle criativo. O que aconteceu foi que Madonna organizou um motim dois anos antes de Bikini Kill ou Courtney Love reclamar às massas desajustadas ao som de guitarras grunge e punk.

Madonna

Nos 23 anos seguintes, temos questionado a relevância de Madonna de forma automática. Com cada nova polêmica, especialistas respondem como cachorrinhos do fisiólogo russo Pavlov: “Ela foi longe demais desta vez? As bizarrices cheias de controvérsias dela chegaram a um nível de desespero? Madonna ainda é relevante?”. Fizemos isso em 1990 quando ela incorporou servidão e sadomasoquismo no clipe de Justify My Love. Fizemos de novo em 1992 quando ela lançou o livro Sex, como parte integrante do novo álbum Erotica. Fizemos no fim dos anos 90, quando ela incorporou as novas crenças da Kabbalah em Ray Of Light, que acabou sendo outro grande avanço criativo.

A primeira década do século 21 foi igual. Em 2003, Madonna usou o VMA da MTV novamente para ir além dos limites da aceitação, beijando Britney Spears e Christina Aguilera após a performance original de Like A Virgin. Os especialistas soaram como um coral: Madonna foi longe demais. Três anos depois, quando Madonna e o até então marido Guy Ritchie adotaram um menino do Malauí, o refrão voltou: ela está procurando atenção desesperadamente.

Estamos no jogo dela a cada novo movimento: suas aparições no cinema, os amantes, os desrespeitos de celebridade e comentários sociais. E em 2012, lá estamos nós outra vez. Em julho, o site MTV.com postou uma notícia com a manchete gritante: “A controversa turnê MDNA de Madonna: Ela foi longe demais? Usando armas falsas e se expondo no palco, a turnê MDNA do ícone pop está repleta de críticas”.

“Oh, fala sério, pessoal! Ela estava brincando. Os americanos estão assim, tão incapazes de aceitar sarcasmo?”. Foi isso o que eu escrevi no Facebook do escritor de música de Los Angeles sobre o comentário de Madonna sobre o “Muçulmano negro”. Daí, eu repostei o artigo na minha página. A situação não foi melhor lá, embora a acidez entre meus amigos não tenha sido tão intensa. “É um comentário horrível, que não vai ser nada bom pro Obama. Mas, ei, fez Madonna voltar ao noticiário”, um antigo conhecido da faculdade sugeriu. “Não tenho dúvidas de que ela tentava ser sarcástica”, um amigo de minha cidade disse, “mas ela falhou totalmente”. E um colega de Nova York lamentou que a piada de Madonna foi inapropriada:

“Há muitas, muitas pessoas lá fora que verdadeiramente acreditam que Obama não seja Cristão.”

E isso é problema de Madonna? Se as pessoas são burras o bastante pra acreditar que o Presidente é muçulmano, é problema deles, não de Madonna. E se o Presidente Obama tivesse perdido as eleições por causa da piada sarcástica de Madonna, muito mais teria sido dito sobre o nível de inteligência dos americanos do que sobre o humor dela. A sagacidade, os cálculos e o timing de Madonna estão ótimos, muito obrigado. Ou, conforme a solitária voz da razão – do jornalista musical, humorista e autor de I Want My MTV  Rob Tannenbaum – sugeriu no meu Facebook, o ultraje sobre a afirmação de Madonna “mostra não apenas um sarcasmo mal-entendido, mas – pior – Madonna sendo mal-entendida”.

Como a mais óbvia influência pop dela, David Bowie, Madonna é tanto uma artista performática quanto da música – cuja experimentação com personagens não se reserva apenas ao palco, filmes, clipes ou álbuns. Ela permeia cada aspecto da vida pública dela. Quando Madonna faz um documentário, como Na Cama Com Madonna ou I’m Going To Tell You A Secret, ela está se apresentando, não oferecendo algum tipo de visão jornalística perspicaz sobre sua vida pessoal ou o processo de bastidores. Ela está interpretando Madonna, seja atuando de forma vulnerável ou no controle; ela está brincando com códigos de gênero e cultura, papéis sexuais e suposições sobre poder.

Quando Madonna se une a alguma causa – seja pelos direitos gays, assuntos humanitários ou uma eleição presidencial – ela está se apresentando. Claro, é óbvio que a pessoa real – Madonna Louise Veronica Ciccone, de Detroit – também apoia o Presidente Obama e os assuntos GLBT, mas ela o faz através de vários aspectos de suas personas, não com canções de protesto, redações racionais ou palestras. Não é assim que ela trabalha. Madonna faz grandes observações com situações elaboradas, grande teatralidade, figurinos extraordinários, maquiagem à-la Fellini, e, sim, sarcasmo profano – todos os muitos aspectos de suas personas. Se entendermos os discursos políticos dela da mesma forma que ouvimos os de Joan Baez, Chuck D, Tom Morello ou Boots Riley, estaremos interpretando-a erroneamente. As grandes narrativas dela são o que a elevam muito acima das imitadoras, exceto talvez Lady Gaga, que realmente entende Madonna.

No aniversário de 50 anos de David Bowie, em 1997, eu estava com ele numa pequena loja inglesa de chás em Manhattan. Conversamos sobre as personas que ele criara ao longo dos anos – sobre seus objetivos, o que ele tentava alcançar, o que ele esperava que as pessoas soubessem sobre ele. Outros devem saber pouco sobre David Robert Jones (seu nome de batismo), ou Bowie como sugerido, mas eles devem saber muito sobre Ziggy Stardust and the Thin White Duke. A autenticidade foi superestimada, ele disse. Bowie é um artista que faz arte, personagens e situações – não uma realidade linear. “Eu costumava ficar agressivo com a ideia de integridade”, ele me contou, referindo-se àqueles que o criticaram no começo, por usar truques numa época em que sinceros cantores de folk pregavam ao seu eleitorado. “Eu dizia, ‘Foda-se – meu negócio é truque”.

Truque é o negócio de Madonna também. E esperamos muito disso quando ela chegou à arena de Charlotte. Já sabemos que ela tem provocado com uma sequência violenta durante as mais recentes canções – Girl Gone Wild, Revolver e Gang Bang – que apresentam Madonna com armas e couro, numa luta sangrenta e coreografada contra homens mascarados dentro de um quarto de hotel cenográfico. A cena foi tão perturbadora para alguns membros da plateia em Denver (sendo tão recente ao tiroteio da tragédia envolvendo o filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), que algumas pessoas deixaram o show. “Estamos dançando e, de repente, as pessoas começaram a perceber o que era a canção”, Aaron Fransua, de 25 anos, contou à Associated Press. “Ficamos todos parados lá. Todo mundo perto de mim estavam chocados”.

Algumas canções depois no setlist da turnê MDNA, o que parecera antes ser um golpe visual e temático no ex-marido de Madonna, o diretor britânico adorador de sangue Ritchie, ficou bem claro, de acordo com a blogueira Marilee Lindemann, conhecida como a “Louca com um laptop”. Lindemann escreveu sobre o show do dia 23 de setembro em Washington: “Percebi naquele momento que não estávamos sendo forçados simplesmente a nos divertir com a violência gratuita. As evocações de Abu Ghraib contextualizaram e geopolitizaram friamente a violência das cenas anteriores, à-la Tarantino, e mostraram consequências reais”. Lindemann, Professora universitária de Inglês e Diretora de Estudos Gays, Lésbicos, Bissexuais e Transgêneros na Universidade de Maryland, acrescentou: “ou…o mais real possível no espetáculo surreal de Madonna”.

Quando o espetáculo de Madonna chegou a Charlotte, também pudemos ver referências à rixa dela com a imitadora Lady Gaga. As duas têm estado muito conectadas ao longo do último ano, brigando pela opinião popular. Em turnê, Madonna injetou a rixa em Express Yourself  (“não aceite o segundo lugar, baby…”), desviando-se momentaneamente à faixa similar de Gaga Born This Way, pra afirmar apropriação, sabe?

A resposta de Gaga a esta justaposição? “As únicas similaridades são a progressão de cordas – é a mesma da música eletrônica há 50 anos”, disse a Lady. “Não significa que estou plagiando, mas que sou esperta pra cacete”.

Na verdade, Madonna e Lady Gaga são ambas espertas pra cacete. Madonna levou a narrativa da rixa a Minneapolis em 4 de novembro, contando à plateia que Gaga rejeitara um convite pra cantar com ela no palco. “Tudo bem”, Madonna disse. “Tenho os melhores fãs do mundo todo. Então, toma isso, Lady Gaga!”.

Tome isso também: de acordo com os números, Madonna é tão relevante quanto sempre foi e, facilmente, tão popular quanto quaisquer de suas herdeiras. MDNA é o quinto álbum consecutivo dela a dominar as paradas. A turnê atual já vendeu 1.9 milhão de ingressos no mundo todo, com a maioria dos shows esgotados. E mais, ela continua em grande forma física e as canções e conceitos de performance de MDNA são fortes como tudo que ela já fez em anos.

Especialistas têm lamentado quando Bowie ou Bob Dylan ou os Rolling Stones continuam se apresentando bem em seus anos de crepúsculo, mas Madonna retrocede esta turnê – focando, na maior parte, em sua idade.

Tudo bem, de acordo com Madonna. “Já me rejeitaram antes”, disse ela, apesar de se referir aos insultos de sua jovem rival e não aos comentários sobre sua idade. “É bom construir caráter”.

Enquanto continuarmos questionando a relevância de Madonna e de seus personagens, ela continuará relevante como nunca!

Tony Shimkin: os 20 anos do álbum EROTICA, de Madonna

MadonnaTribe (Traduzido por Leonardo Magalhães)

Madonna

O álbum “Erotica”, de Madonna, completou 20 anos de lançamento. É hora de celebrar 20 anos de Erotica, um dos álbuns mais originais e controversos de Madonna, com um papo exclusivo com Tony Shimkin, co-produtor e co-autor de algumas das melhores canções do álbum.

Tony foi ao Madonna Tribe pra nos levar a uma jornada de fofocas, lembranças e a um relato exclusivo e inigualável do processo criativo de obras-primas como Erotica, Bye Bye Baby, Deeper And Deeper, Bad Girl e Why’s It So Hard, apenas pra citar algumas, mas também Vogue, Rescue Me, This Used To Be My Playground e as tão comentadas fitas de Rain.

MadonnaTribe: Oi, Tony, seja bem-vindo ao Madonna Tribe. Você é um produtor/compositor famoso e respeitado, mais conhecido pelos fãs de Madonna pelo seu trabalho no incrível álbum Erotica, de 1992. Vamos do começo. Como começou sua carreira?

Tony Shimkin: Comecei no Ensino Médio trabalhando como estagiário no Soundworks Studio em Nova York, que, coincidentemente, é o mesmo estúdio onde mixamos o álbum Erotica, assim como remixes de músicas anteriores dela. Mais tarde, me tornei Assistente do Engenheiro de Gravação e, então, Engenheiro. Durante aquele tempo, trabalhei com Duran Duran, Teddy Riley e, mais frequentemente, Shep Pettibone. Daí, comecei a editar remixes do Shep paralelamente. Pouco tempo depois, fui contratado pelo Shep pra ser seu assistente pessoal. Foi aí que fiquei mais envolvido em mixar e produzir. Devido ao sucesso dos remixes que estávamos fazendo, especialmente para Janet Jackson, Madonna e Mariah Carey, Shep e eu fomos convidados e começamos a compor juntos faixas para Madonna, Taylor Dayne e Cathy Dennis.

MT: Como você se tornou um dos produtores mais bem-sucedidos na Indústria?

TS: É muito gentil da sua parte, mas há muitos produtores que eu admiro como sendo mais bem-sucedidos. Sir George Martin e Quincy Jones, por exemplo, e eu hesitaria bastante em me colocar perto da categoria deles.

Meu sucesso é, em meu ponto de vista, devido, principalmente, ao meu amor pela grande variedade de estilos musicais, meu respeito pelos Artistas, Músicos e Engenheiros de Estúdio e Produtores, e pela minha habilidade de me relacionar bem com diferentes tipos de personalidade. Ser um Produtor Musical é quase ser um Diretor de Cinema.

Você deve reunir o melhor e mais apropriado elenco pra apoiar o Ator ou Atores principais. Na música, são apenas os Músicos e Engenheiros apoiando o artista. Além disso, a locação é importante…o estúdio certo, a atmosfera certa pra ser criativo.

MT: Então como você se envolveu na produção de Erotica?

TS: Como resultado do nosso trabalho remixado para Madonna, nosso envolvimento no álbum The Immaculate Collection nos permitiu colaborar numa canção original, Rescue Me, e nossa colaboração bem-sucedida em Vogue nos deu um convite para co-escrever canções para o futuro álbum dela.

Começamos a compor as faixas e então enviamos a Madonna em LA para escrever as letras e melodias. Daí, ela veio ao estúdio caseiro em NY e começamos a trabalhar.

MT: Erotica pode ser descrito como um álbum conceitual. Depois de ser muito criticada, e até ser chamada de “Fracassada” quando ele foi lançado, o álbum se tornou, com o tempo, um dos favoritos dos fãs por conter músicas fortes e muito bem produzidas. Vocês ficaram decepcionados pelas primeiras reações? Era como se a Mídia quisesse passar pro público uma outra coisa ou algo que ele não era.

MadonnaTS: Entendo a resposta inicial. Quer dizer, ele foi lançado ao mesmo tempo que o livro SEX e o filme altamente sexual dela com William Dafoe, e você tinha os clipes de  Erotica e Justify My Love, então a Mídia estava… “Sexo, sexo, sexo!”. Era Madonna ultrapassando os limites de SEX.

O resto das músicas do meio que se perderam. Se Erotica não tivesse sido o primeiro single, isso poderia não ter acontecido. Acho que quando Rain foi lançada, as pessoas tiveram a oportunidade de ver além da coisa sexual.

Havia mesmo muita diversidade nas canções de Erotica e aquilo se perdeu nas críticas iniciais. Também acho que dois milhões dificilmente é um fracasso, mas, se comparado ao trabalho anterior, que vendeu quase sete milhões no lançamento, o álbum foi visto como um fiasco. É engraçado porque com as vendas atuais, dois milhões é um sucesso enorme e, desde o lançamento, acredito que já tenha vendido mais de cinco milhões.

MT: Você é co-autor com Shep Pettibone e Madonna de algumas das melhores faixas do álbum: Erotica, Bye Bye Baby, Deeper And Deeper, Bad Girl, Why’s It So Hard, apenas pra mencionar algumas. Você se lembra do processo que deu à luz algumas dessas canções?

TS: Erotica foi, definitivamente, uma longa evolução das duas versões finais, a do álbum e a versão inspirada no Oriente Médio chamada Erotic, inclusa no livro SEX. Bye Bye Baby foi muito divertida, já que o efeito do vocal filtrado foi aplicado durante a gravação e tocado enquanto ela cantava. Este vocal está também na primeira demo.

Durante a mixagem de Deeper And Deeper, eu estava zoando com um violão acústico, tocando música espanhola, no estilo flamenco. Madonna me ouviu e quis adicionar aquela parte na música. Daí, acrescentamos castanholas e…voilá! A parte com o estilo latino da canção nascera!

Tínhamos acabado de voltar de férias no meio do processo de composição, Shep estivera na Jamaica e eu fora mergulhar nas Ilhas Cayman. Ambos voltamos com uma pesada inspiração do Reggae, e daí veio Why’s It So Hard. Depois que Madonna passou um dia fora, eu toquei com uma ideia e adicionei alguns vocais de fundo. No dia seguinte, não sabia que ela já tinha chegado e estava tocando. Daí, ela gritou do andar de baixo: “O que é isso…gostei!”. Cheio de vergonha, contei a ela que era eu cantando e ela me fez cantar de novo na frente dela. Aquela foi a minha estreia como cantor. Foi engraçado ouvir minha voz durante o Girlie Show nos alto-falantes do Madison Square Garden.

Bad Girl foi uma partida do resto do álbum e uma boa quebra no processo de composição, porque nos desacelerou e foi legal ficar sério por um momento.

MT: O som de Erotica parece bem cru quando você ouve as primeiras canções. Esta foi uma decisão consciente?

TS: Usamos muito dos vocais demo que foram gravados com um microfone SM-57, mais comum para apresentações ao vivo, porque tinha uma grande energia e gostamos da performance.

Quando gravamos na fita, usamos um gravador de  ¼ de polegada (Ver Foto) e a faixa de 2 polegadas foi gravada com 15 ips (Inches Per Second) pra dar um toque mais antigo ao som, ao contrário do formato digital, que é o que estamos acostumados a trabalhar. Portanto, o “som cru” foi deliberado, por querermos usar o máximo das nossas performances demo.

MT: Quais das canções de Erotica são as suas favoritas e por quê?

TS: Quando o álbum foi originalmente lançado, o Shep me contou que eu devia escolher apenas uma música na qual colocar meu nome como compositor. Sabendo o que sei hoje, eu teria dito “Não, colocarei em todas ou então comece tudo de novo sozinho!”.

Com isso, escolhi Deeper And Deeper, porque sabia que seria um sucesso. É difícil dizer agora, mas eu deveria ter escolhido Rain, porque amo a ascensão que vem com o sintetizador e como ele te eleva às outras partes, mas o clipe pode ter inspirado esta resposta.

MT: Recentemente, houve um papo na Internet sobre as chamadas fitas de Rain. Delas, parece que as canções de Erotica passaram por muitas fases diferentes. De onde estão vindo essas fitas?

TS: Não sei. Certamente não fui eu, acredito que apenas Shep, eu mesmo e Madonna têm cópias das primeiras fases das demos. Portanto, o seu palpite é tão bom quanto o meu. Algumas ofertas me tentaram a lançar coisas assim, mas Madonna sempre me tratou com respeito e eu não faria nada sem o consentimento dela.

MT: Uma antiga versão acapella de Erotica, conhecida pelos fãs como You Thrill Me, apareceu na Internet alguns anos atrás. A música era completamente diferente da versão do álbum. Então, isso significa que Erotica foi uma das canções que passaram pelas maiores mudanças durante a produção?

TS: Sim, começou como uma canção totalmente diferente. Apenas uma parte do vocal: “You thrill me, surround me, you fill me” se tornou “Erotic, erotic, put your hands all over my body”. Quando isso aconteceu, a coisa do sexo meio que tomou o controle e acabou indo numa direção completamente nova.

MT: Mas Madonna não esqueceu de You Thrill Me, já que a repetiu na Confessions Tour, em 2006. Você ouviu aquela versão ao vivo de Erotica/You Thrill Me? Você gostou? Você ficou surpreso por ela ter desenterrado a demo pra reinventar a canção pro palco?

TS: Não, não ouvi, mas vou pegar uma cópia e ouvir agora que você me contou. Estou muito interessado em ouvi-la. Madonna geralmente explora uma nova direção ou revisita uma antiga quando se apresenta ao vivo e eu acho isso ótimo, odeio ir a um show e ouvir uma canção feita exatamente como o arranjo de gravação. Esta é a razão por ir ver um show ao vivo. Pode apostar que as pessoas comprarão o DVD daquela turnê apenas pra ouvir estas novas/velhas versões.

MT: Do que eu entendo, a parte “You are who you are” substituiria a parte falada “Give it up, do as I say” na estrutura da canção inicial e o refrão “You thrill me, surround me, you fill me” estava lá, ao invés do mais famoso “Erotic, erotic, put your hands all over my body”, certo? Basicamente, na Confessions Tour, ela cantou a canção feita de dois refrões.

TS: Às vezes, as canções realmente são desenvolvidas. Sei que é mais fácil achar que foi composta uma vez, da forma que você ouviu. Mas, neste estilo de música, ao contrário dos Beatles, que compunham no violão ou piano, a canção evolui. Começando com uma faixa para uma energia, Madonna cantava as ideias dela. Inspirados nelas, nós mudávamos e construíamos a música, mudando completamente, às vezes. Daí, se tornava um esforço colaborativo, de trás pra frente, até você ter o que todo mundo ouve.

MT: Na versão do álbum Erotica, dois samples foram inclusos. Um é de Jungle Boogie e o outro é o canto assombrado El Yom. Pessoalmente, acho que eles deram à canção um bônus adicional e foi uma ótima ideia. De quem foi a ideia de incluir samples nas canções?

TS: Os samples eram de uma coleção de sons escolhidos da extensa coleção de discos do Shep e foram usados como inspiração na construção das canções. Geralmente, nos livrávamos deles depois de terem servido ao nosso propósito. Os samples que você mencionou se tornaram parte integral da canção e a música sentia a falta da energia que adorávamos quando os tirávamos. Às vezes, você não pode substituir ou recriar essa mágica.

MadonnaMT: A faixa Goodbye To Innocence também foi descartada pra favorecer o cover de Fever na época. Como isso aconteceu?

TS: Quando estávamos na fase de mixagem da produção, Madonna começou a cantar Fever sobre a faixa Goodbye To Innocence. Ficou uma regravação legal e fomos até o fim. Eu sempre amei Goodbye To Innocence e fiquei um pouco desapontado por perdê-la. Fiquei feliz quando ela a relançou tempos depois.

MT: Fever também foi remixada em uma nova versão pra ser usada no clipe. Você trabalhou na produção daquele remix também?

TS: Não, não estava ciente que tinha sido feito como um clipe. Porém, nós fizemos o arranjo daquela versão ao vivo para a aparição no Saturday Night Live.

MT: Aparentemente, há muitas faixas que foram compostar pro álbum e nunca foram terminadas ou lançadas. Muito tem se falado de uma canção que você ajudou a compor com Madonna e Shep, chamada You Are The One. Você pode nos contar mais sobre ela?

TS: Havia duas canções que fizemos, mas não foram lançadas. You Are The One e Shame. You Are The One era uma canção agitada e bem chiclete. Uma verdade é que Madonna nunca criou melodias esquecíveis. Infelizmente, nem toda canção chega ao CD. Talvez ela lance uma coleção de canções não-ouvidas um dia, mas eu duvido. Ainda tenho uma cópia em cassete dessas demos antigas. Preciso converter para arquivos digitais para a posteridade um dia.

MT: Em Shame, Madonna, aparentemente, reprisa sua personagem Dita da canção Erotica. Estou muito curioso sobre esta canção…

TS: Shame ficava na memória rapidamente, embora o refrão tenha ficado muito parecido em termos de melodia com uma outra canção com o mesmo título. Mesmo assim, mantinha a fidelidade com o resto do material gravado e, sim, o alter ego Dita pode ter nascido desta canção também.

MT: Você acha que um dia teremos uma chance de ouvir essas produções não-lançadas?

TS: Como eu disse antes, a decisão é de Madonna. Eu a respeito demais pra lançar qualquer coisa sem ela saber, lembre-se de que não foi ela que me sacaneou com os créditos e a publicação.

MT: Antes de Erotica, você também trabalhou em The Immaculate Collection, Vogue, Rescue Me e no remix de Keep It Together. Qual foi o seu envolvimento nestas canções?

TS: Vogue foi a primeira vez em que conheci “Mo”. Ela tinha voado de LA pra graver vocais e não tínhamos ouvido muito das ideias dela pra música. Daí, quando ela começou a cantar, eu soube instantaneamente que seria um mega sucesso. Aconteceu dela escrever toda a parte “Greta Garbo and Monroe…Deitrich and Dimaggio…” no voo de NY para a gravação. Muito impressionante, se você me perguntar.

Rescue Me foi uma faixa original que fizemos pra ser inclusa em The Immaculate Collection, e foi realmente minha primeira composição pra ela, embora eu nunca tenha levado o crédito. E o remix de Keep It Together foi um de três que fizemos, sendo os outros para Express Yourself e Like A Prayer.

Naquela época, os remixes que fazíamos foram muito bem recebidos e frequentemente éramos convidados a remixar cada canção que era lançada. Com Rhythm Nation da Janet Jackson, nós remixamos todos os sete singles, sendo o primeiro Miss U Much. Se você ouvir o nosso Club Remix (http://www.youtube.com/watch?v=zWp0vGtwc2E) daquela canção, você perceberá muito da inspiração para Vogue, basta ouvir a bateria e a linha de baixo que entenderá. Às vezes, o que você faz para um remix é bom demais pra ser ouvido apenas numa boate.

MT: Depois de Erotica, Madonna lançou o álbum Bedtime Stories em 1994. Aparentemente, Shep Pettibone também trabalhou em algumas das canções dele, como Secret, mas, originalmente, ele não foi creditado. Shep e você estavam, originalmente, envolvidos em Bedtime Stories também como produtores?

TS: Não, Shep não estava envolvido e eu não estava mais trabalhando com ele. Sei que ele havia tentado escrever algumas coisas pra esse projeto e ele afirmou ter criado algumas faixas para as quais ela escreveu Secret. Conhecendo-a bem, ela provavelmente sempre teve aquela ideia no caderno, experimentou a faixa dele e, quando achou que não estava funcionando, seguiu em frente. Junior Vasquez era um amigo de Shep, eu o conhecia também e, à época, ele era provavelmente o melhor remixer e DJ, então ela começou a trabalhar com ele.

Junior me envolveu em algumas das produções e remixes de Bedtime Stories e foi divertido trabalhar numa capacidade diferente daquela de Erotica. Uma vez que você trabalha com Madonna, você nunca quer parar, mas ela é esperta e é conhecida por se reinventar e manter cada álbum fresco e, às vezes, isso significa trocar seus colaboradores ou produtores.

Shep levou pro lado pessoal e acho que ele tentou sacanear Secret, por estar magoado. Talvez ele foi creditado pra evitar futuros problemas.

MT: Também queria te perguntar sobre This Used To Be My Playground. Você esteve envolvido nesta canção e ela foi produzida na mesma época do álbum Erotica?

TS: Sim, fomos nos encontrar com Madonna em Chicago enquanto ela estava filmando “Uma Equipe Muito Especial”, e conversamos sobre uma canção original pro filme. Eu compus as partes de cordas e o solo de violino. Quando gravamos com Al Schmidt no estúdio Ocean Way em LA, tivemos uma orquestra de 30 peças e Jeremy Lubbock fez os arranjos de corda. Nunca incluímos a demo que tinha o solo de cordas quando ele montou tudo com a orquestra.

No dia em que estávamos gravando, achei que tínhamos terminado e percebi que esquecêramos o solo. Rapidamente cantei a parte pro copiador que montou tudo para os violinistas e eles gravaram com apenas um minuto no relógio. Quando você tem uma orquestra de 30 peças, pode ficar muito caro usar uma segunda hora do tempo deles. Foi um aprendizado enorme ver um mestre como Al Schmidt gravar e mixar, ele é simplesmente incrível, um verdadeiro artesão.

MT: Você trabalhou com muitos artistas de estilo, como Janet, apenas pra mencionar um. O trabalho com Madonna tem sido diferente dos outros?

TS: Muito, de algumas formas. Eu nunca trabalhei com uma artista tão determinada ou motivada como ela. Adorei o ritmo acelerado com o qual trabalhamos e definitivamente tínhamos isso em comum. Geralmente, eu trabalho bem rápido com gravação de vocais e raramente faço aquecimentos ou preparativos. Ela foi uma das poucas artistas que se desenvolveram nesta forma de trabalho. Acredito que você deve conseguir capturar ideias assim que elas aparecem e ela apreciava isso.

Lembro-me de uma vez, durante a pré-produção de uma das canções de Erotica. Em um dos nossos primeiros dias trabalhando juntos, houve uma estória engraçada. Eu estava organizando algumas coisas no computador e ela queria experimentar algo. Ela me perguntou se eu já estava pronto. Disse que não e, minutos depois, ela me perguntou novamente. Mais uma vez, disse não e, um minuto depois, ela perguntou outra vez. Joguei um lápis do outro lado da sala e disse bem alto: “NÃO!”… “Por que você não vai lá embaixo e faz pipoca…uma ligação…e eu te digo quando estiver pronto”.

Ela ficou quieta (provavelmente um pouco chocada por este moleque de 22 anos ter dito isso a ela)…daí disse “ok” e desceu. Daquele momento em diante, ela tinha o mesmo respeito por mim do que eu por ela e nossa relação cresceu muito bem. Em retrospecto, aquele poderia ter sido o fim da minha carreira, mas ela respeita alguém que fala o que pensa assim como ela e não apenas puxa o saco.

Todos os artistas têm uma visão, mas a dela sempre foi bem definida e clara. Mesmo assim, ela sempre estava aberta a críticas e sugestões, não que ela sempre concordasse, mas estava aberta e isso é importante.

MT: Quais são seus projetos futuros nos quais você está trabalhando agora, Tony?

TS: Eu havia mixado o álbum Between The 1 And 9 para uma artista da EMI chamada Patti Rothberg. Produzi o álbum Sky With Stars For Sony para um artista chamado Michal, do qual tenho muito orgulho. Compus para Wild Orchid (antigo grupo da Fergie) e fiz muitos remixes com Junior Vasquez e sozinho depois de trabalhar com Shep.

Mais recentemente, produzi um material para uma banda chamada The Vanderbits e fiz uma música com Anthony Hamilton e com uma nova artista chamada Niia. Todos podem ser encontrados no MySpace.

Ao longo dos últimos anos, compus e produzi, na maior parte, para TV e cinema, mas estou começando a compor novamente para artistas e espero voltar a fazer mais gravações.

MT: Tony, qual sua melhor lembrança do trabalho com Madonna?

TS: Acreditar em mim pra ajudá-la a alcançar sua visão, risos, pipoca e Caesar Salads do restaurante italiano na outra rua do estúdio Soundworks.

MT: Muito obrigado por conversar conosco, Tony.

A foto de Tony e a imagem de Tony e Madonna no estúdio são cortesias da página oficial do MySpace dele: www.myspace.com/tonyshimkin.

Madonna MDNA álbum sales pelo mundo

De acordo com o UKMix, eis as vendas do último álbum de Madonna, MDNA, nos charts pelo mundo:

Madonna
USA: 515.000
Canada: 80.000
Brazil: 80.000
Mexico: 35.000
Argentina: 20.000
Colombia: 20.000
Venezuela: 5.000
America: 765.000

UK: 120.000
France: 100.000
Germany: 100.000
Italy: 70.000
Austria: 10.000
Belgium: 15.000
Bulgaria: 5.000
Czech Rep: 5.000
Denmark: 10.000
Finland: 20.000
Greece: 12.000
Hungary: 3.000
Ireland: 7.500
Netherlands: 25.000
Norway: 15.000
Poland: 20.000
Portugal: 7.500
Romania: 5.000
Russia: 55.000
Spain: 20.000
Switzerland: 15.000
Europe: 660.000 

Australia: 35.000
New Zeland: 5.000
Oceania: 40.000

Japan: 100.000
Hong Kong: 7.500
India: 4.000
Taiwan: 15.000
Asia: 175.000

South Africa: 20.000
Turkey: 35.000

Total: 1.725.000

Fonte: UKmix

Madonna escolhe Grafiteiro brasileiro para ilustrar seu próximo single

Madonna

A imagem que ilustrará a capa do próximo single de Madonna, Superstar, será de um grafiteiro brasileiro escolhido entre uma seleção de 30 nomes. As ilustrações já estão prontas e serão expostas no MIS – Museu da Imagem e Som – a partir do dia 9 de novembro, em São Paulo.

Os artistas de rua tiveram um workshop de dois dias com o curador da exposição, Binho Ribeiro, e com o diretor artístico da cantora, Giovanni Bianco, onde eles criaram suas ilustrações.

“O curador queria que nossa arte fosse o mais original possível, ele não deu um tema, um briefing a seguir para não tornar a imagem uma peça publicitária. Seja você mesmo foi a instrução”.

As ilustrações são bem variadas. Algumas mostram o rosto da cantora, outras são abstratas. A de Ahoop, uma raposa ouvindo música e usando óculos 3D, mostra bem a personalidade do artista.

“Não quis desenhar a Madonna porque achei que seria óbvio e eu queria ser bem diferente. Ela já tem muitos anos de carreira e já deve ter visto de tudo artisticamente”, disse Ahoop.

“Meu trabalho é bem pop, eu gosto de trabalhar com cor e dar a cara da rua. Também gosto de colocar os animais em situações humanas para mostrar que eles também sentem e foi o que decidi colocar na ilustração, usando todas as minhas referências”, avaliou.

Apesar de ansioso por saber o resultado, Ahoop diz que todos merecem vencer e dá uma dica para Madonna:
“Eu acompanhei o processo de cada um e todo mundo mandou muito bem. Se eu fosse a Madonna, faria um encarte com as 30 ilustrações”.

A exposição ficará em cartaz no MIS até o dia 16 de dezembro. Quem for ao museu conferir, poderá votar em sua preferida. O público também poderá escolher sua favorita na página da Johnny Walker no Facebook e as 10 mais votadas serão enviadas para Madonna escolher.

O single será lançado no país em dezembro, quando Madonna estiver no país com sua turnê MDNA.

VOTAÇÃO

Visite a página no facebook JohnnieWalkerBrasil e vote em sua capa preferida.

Gravadora lança CD promo com remixes de Madonna na França – limitado

MadonnaFoi lançado um raro CD francês pela Polydor (Universal) e Live Nation com 14 remixes de “Give Me All Your luvin'” e “Girl Gone Wild. O CD contém remixes das duas músicas de Madonna, do álbum MDNA, e por ser um cd PROMO, apenas 500 cópias existem.

Faixas:

Give me all your Luvin’
1. Album Version (3:22)
2. Laidback Luke Remix (6:06)
3. Nicky Romero Remix (5:54)
4. Party Rock Remix (4:01)
5. Sultan + Ned Shepard Remix (5:59)
6. Oliver Twitz Remix (4:48)
7. Demolition Crew Remix (7:02)

Girl Gone Wild
8. Album Version (3:43)
9. Avicii’s UMF Mix (5:16)
10. Dave Audé Remix (8:05)
11. Justin Cognito Remix (4:48)
12. Kim Fai Remix (6:34)
13. Lucky Date Remix (5:06)
14. Offer Nissim Remix (6:49)

Madonna em MDNA: Só pode haver uma rainha

Com novo disco, “MDNA”, a cantora mostra que tem cacife para ocupar o trono do pop por muito tempo

Madonna MDNAAntes de “MDNA”, o décimo segundo álbum de estúdio de Madonna, que será lançado mundialmente no dia 26, mas que caiu na internet na última segunda-feira, o que mais se ouvia sobre ela era que seu reinado estaria chegando ao fim. O disco anterior, “Hard Candy” (2008), estava muito aquém do que se esperava de Madonna. Além disso, nos últimos quatro anos, várias candidatas a rainha do pop, como Kylie Minogue, Britney Spears, Rihanna e Beyoncé, lançaram discos novos e avançaram algumas casas no tabuleiro da música.

No mesmo período, o mundo viu surgir Lady Gaga, que rapidamente parece ter assumido a dianteira nesta disputa. Todas elas, ora alfinetando, ora derretendo-se em elogios e admitindo que, sim, se inspiram em Madonna.

Depois de rodar o mundo com a “Sticky & Sweet Tour”, ela deu um tempo na música, como que deixasse suas candidatas a sucessora mostrarem o que podiam fazer. Madonna lançou uma coletânea, gravou um clipe (“Celebration”, ao lado do então namorado brasileiro Jesus Luz) e dirigiu seu segundo filme (“W.E. – O Romance do Século”, em cartaz no País).

Madonna 2012Retorno

Com “MDNA“, ela volta à cena para mostrar quem é que manda. Ou, pelo menos, que ainda tem gás para se reinventar e fazer um pop de qualidade. O disco abre com “Girl Gone Wild“, produzida por Benny Benassi. Na introdução, ela afirma que se arrepende dos pecados que cometeu e que quer ser boa. Mais adiante, porém, ela admite que não consegue se controlar.

“Na pista até amanhecer/Garotas só querem se divertir/Eu sei, eu sei, eu sei/Não deveria agir assim/Eu sei, eu sei, eu sei/Boas garotas não se comportam mal/Se comportam mal/Mas, de qualquer forma, eu sou uma garota má/Perdão”, canta em um dos versos da letra.

A faixa, que havia sido divulgada há alguns dias e ganha clipe na semana que vem, cumpre bem seu papel, dando uma ideia do que está por vir: Madonna cansou de tentar bancar a boazinha e quer mesmo é botar para lascar.

Na sequência, “Gang Bang” não deixa sobrar tempo nem para recuperar o fôlego. Numa das melhores músicas da carreira, Madonna solta o verbo e esculhamba geral. Batida pulsante, voz nasalada, versos fortes e palavrões em profusão. Genial. “E eu vou direto para o inferno/E eu tenho vários amigos lá”, diz. Merece ser lançada como single (e ganhar clipe a altura, se possível, dirigido por Jonas Akerlund) e entrar na próxima turnê, cuja passagem pelo Brasil já é dada como certa no começo do próximo mês de dezembro.

Em “I´m Addicted”, ela compara o amor a uma droga. No caso, o MDMA, um dos nomes pelos quais é conhecido o êxtase. Foi daí, aliás, que ela tirou a ideia do título do disco, trocando apenas uma letra e criando um anagrama com o seu próprio nome.

“Turn up the Radio” também tem potencial para virar hit. O ritmo do disco só é quebrado quando entra “Give me All your Luvin´”, com participação de Nicki Minaj e M.I.A.. A temática cheer leader casou bem com a performance no intervalo do Superbowl, mas destoa do resto do disco. Não é ruim, mas, tendo em vista o conjunto de “MDNA”, dá para notar que foi mais uma adequação ao contexto da apresentação do que qualquer outra coisa. O mesmo se aplica a balada “Masterpiece”, parte da trilha sonora de “W.E.” – que só toca nos créditos.

Outro ponto alto é “I don´t Give a”, na qual Nicki Minaj afirma que “só pode haver uma rainha e ela é Madonna”. A letra é uma das mais confessionais do disco. Fala sobre não ligar para o que as pessoas pensam dela: “Tentei ser uma boa garota/Tentei ser sua esposa/Me diminuí/Engoli minha luz/Tentei ser tudo o que você esperava de mim/E se eu falhei/Não dou a mínima”. O que será que o ex-marido, o cineasta Guy Ritchie, achou da música?

A filha Lourdes Maria participa como backing vocal (alguém notou?) em “Superstar”. Inevitável a comparação com “Hello”, sucesso do produtor da faixa, Martin Solveig. A menina já havia inspirado a mãe a compor “Little Star”, de “Ray of Light”.

Numa prova de que busca referências na própria carreira – se as outras podem, por que não ela mesma? -, Madonna apresenta “I´m Sinner”. Soa como uma mistura de “Ray of Light” com “Beatiful Stranger”. Combinação bombástica. A cantora sabe o que funciona. Se dizendo uma pecadora, em meio a um atmosfera oriental, ela evoca Maria, Jesus, São Cristóvão, São Sebastião e Santo Antônio.

“Love Spent” começa com um banjo futurista. O clima oitentista evoca Erasure e La Roux. Muito vagamente, remete a “Hung Up”, um dos maiores hits de Madonna. A versão simples do disco encerra com “Falling Free”, uma balada sombria como as que só William Orbit sabe produzir. Na versão dupla, haverá mais cinco músicas bônus, incluindo um remix de “Give me All your Luvin´” feito pela dupla LMFAO.

Equilíbrio

“MDNA” certamente entra para o hall dos melhores discos de Madonna, ao lado de “Like a Prayer” (1989), “Ray of Light” (1998) e “Confessions on a Dancefloor” (2005). A produção dividida entre William Orbit (parceiro em “Ray of Light”), Benny Benassi e Martin Solveig deram ao trabalho o equilíbrio certo de intros-pecção e alegria.

Em poucas ocasiões Madonna se abriu tanto nas letras. É verdade que todas as suas composições são pessoais e carregam muito do que ela vivia naqueles momentos, mas desta vez ela foi mais direta. “Acordei ex-esposa/Essa é a sua vida/(…)/Você ficou bravo comigo/Quem tem a custódia/Os advogados que se danem/Não tinha um acordo pré-nupcial/(…)/Fazer um filme/Escrever uma música/Tenho que pegar meu dinheiro de volta”, brada em “I don´t give a”.

O disco está cheio de recados para a concorrência e para ex-maridos e namorados. Mas também tem bobagem, refrões pegajosos e batidas capazes de animar qualquer festa. Exatamente como deve ser a boa música pop.

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