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William Orbit, produtor de Madonna, fala sobre a carreira e produções da cantora

Um dos produtores de Madonna, William orbit, responsável pelo melhor álbum da carreira de Madonna (Ray Of Light), falou sobre a cantora em seu site oficial. Eis o que ele disse:

“‘Music’ é a faixa que eu mais toco em meus sets, embora seja minha própria versão levemente alterada. Eu amo e nunca canso dessa música e acredito que o que ela e Mirwais conseguiram fazer juntos foi fantástico! Eu recebo uma ótima resposta do público quando toco ‘Ray of Light’, mesmo não sendo uma “bad-ass demented techno tune’, é meu estilo favorito para tocar. Todos tem uma boa lembrança guardada na memória quando ouvem essa música.” […]

“Eu ouvi algumas faixas em que participei do ‘Music’ no outro dia para um projeto que a Warner Brothers me convidou [o projeto que ele cita aqui é a nova coletânea]. Sofri ao ouvir “American Pie”. Uma canção que realmente merece seu lugar no topo das “piores versões covers de todos os tempos”! O que estávamos pensando?” […]

“Mas ‘Runaway Lover’ soou tão bem. Venceu o teste do tempo muito bem e possui vocais incríveis de M. Ela realmente esculpiu a maneira com que a música soa no album. Me lembro que viajei muito com essa música e que o Mark Spike Stent fez um excelente mix. O que realmente me fez pensar muito foi a canção “Amazing” que nunca alcança seu verdadeiro potencial. Gostaria de mixá-la novamente. Existem elementos que não entraram para a versão final” […]

“Existem alguns vocais que ela gravou no final dos anos noventa que possuem um poder emocional muito forte. Nem todos foram lançados. Muito já foi escrito sobre suas atividades dramáticas mas ela é capaz de conferir uma maior profundidade dramática em sua voz do que muitos dos artistas atuais. Só que não sempre de um modo óbvio. Você deve estar aberto para isso. Além disso, existem notas muito doces para os ouvidos. Essa combinação faz parte do fascínio.”

“Interessante você mencionar uma reformulação de ‘Drowned World’. Isso poderia ser muito bom. Eu estava especulando sobre essa faixa dias atrás. As versões demos originais soavam mágicas. Mas eu faria isso apenas como um exercício de investigação de possibilidades musicais. Madonna jamais olha para trás, e obviamente existe a Warner Bros e algumas considerações que estão acima da minha capacidade.” […]

“Mas, embora exista uma grande quantidade de materiais inéditos, alguns dos quais são excepcionais, a questão da sua liberação só pode ser respondida por ela. E ela tem muito mais acontecendo em seu mundo agora do que em qualquer outro momento! Eu sempre penso nela desta forma: você não pode subestimar o senso de timing e de mudança que ela tem, então não faz sentido algum tentar prever o que ela irá fazer. Ela continuará forte por mais 50 anos… porque a pressa?”

Christopher Ciccone fala sobre a irmã Madonna

Irmão mais novo da cantora Madonna, Christopher Ciccone passou dezoito anos trabalhando com a estrela do pop. A convivência foi interrompida há cinco anos, quando Madonna descobriu que o irmão usava drogas. Recentemente, Christopher lançou o livro A Vida com Minha Irmã Madonna (Editora Planeta), no qual desfia histórias sobre Madonna e aqueles que a cercam, como o ex-marido Guy Ritchie. Christopher conversou por telefone com o repórter Sérgio Martins.

É bom ou ruim ser o irmão de Madonna?
Quando nos falávamos, era bom. Eu ia a todas as festas, com bebida liberada. Foi inesquecível dirigir alguns de seus clipes e, sobretudo, conhecer Gene Kelly, um dos meus ídolos, que fez coreografias para minha irmã. Assim que brigamos, contudo, pessoas que antes me tratavam muito bem se esqueceram de mim. Esse foi um lado ruim, cruel.

Qual rejeição o deixou magoado?
Sem dúvida, a de Demi Moore. Tivemos nossos atritos, é verdade. Certa vez, ela pediu que eu decorasse o quarto de seus filhos sem ao menos perguntar se eu cobraria pelo serviço. Sabe o que fiz? Comprei móveis numa loja popular e mandei entregar na casa dela. Para mim, foi uma maneira educada de dizer “Vê se se enxerga”. Mas sempre achei que ela fosse minha amiga. Desde que briguei com Madonna, nunca mais recebi uma ligação sua. Isso me deixou triste. Ela é uma mimada e me usou como se eu fosse um animal de estimação.

Madonna deixou de falar com o senhor por causa do seu vício em drogas. O senhor está curado?
Meu grande vício sempre foi Madonna. Ela preencheu anos e anos da minha vida. Quanto às drogas, digamos que tenho um lado negro que preciso alimentar de vez em quando.

Qual foi a reação de Madonna ao seu livro?
Quando soube que eu estava escrevendo a seu respeito, Madonna disse a nosso pai que não gostaria de lê-lo. Seu advogado mandou uma carta ameaçando-me de processo. Até agora, não sofri nenhum tipo de retaliação. Não há nada no livro que possa provocar um processo. Além disso, a vida pessoal de minha irmã anda tão atribulada que ela mal deve ter tido tempo de prestar atenção no livro.

Por que expor a intimidade de sua irmã?
Sei o que você está pensando: o ressentido que não fala com a irmã famosa resolveu vingar-se. Mas eu não fiz um livro sensacionalista. A Vida com Minha Irmã Madonna traz detalhes preciosos sobre sua carreira, bem como informações sobre como ela se prepara para cada turnê.

O senhor ficou surpreso com o anúncio do divórcio de Madonna e Guy Ritchie?
Meu pai e meus irmãos sabiam que o casamento estava naufragando. Nunca comentaram nada comigo, por causa da briga que existe entre nós. No fundo, eu sabia que o casamento não daria certo. Guy é um sujeito problemático. Madonna nunca achou de verdade que ele fosse o homem de sua vida.

Sua irmã envelhece bem?
É difícil chegar aos 50 anos, ser ainda desejável e entreter uma platéia noite após noite, como ela faz. Minha irmã realizou as plásticas indispensáveis, no que fez muito bem. Eu também pretendo entrar na faca quando envelhecer.

Correm notícias de que o senhor está escrevendo outro livro. Deixe-nos adivinhar: será sobre Madonna?
Vou fazer muitas coisas. Um musical sobre uma diva e seu secretário. Um filme sobre um serial killer que ataca na Califórnia – e que talvez tenha sósias das amigas de Madonna entre suas vítimas. E um livro, sim, mas sobre minha experiência como gay.

| Fonte: Revista Veja – Edição 24 de dezembro de 2008 |