MADONNA EM MANILA: MAIS REBELDE, IMPOSSÍVEL!

Madonna REBEL HEART tour

Os pecados dela foram: xingar em voz alta, escalar e se pendurar em uma cruz, se enrolar na bandeira nacional, dançar sexualmente, estrangular um dançarino vestido de padre no palco, levar dançarinas vestidas de freiras e até uma delas com problemas de figurino, e, oh!, começar o show com quase três horas de atraso e cantar mais músicas atuais do que os sucessos antigos.

Madonna, menina má. Menina clássica!

A diva Pop causou comoções na arena Mall Of Asia ontem (24) no primeiro de dois shows em Manila da Rebel Heart Tour, que já passou pela América do Norte e Europa, e ainda segue para a Oceania, após a Ásia. Torcendo o nariz para as convenções de propósito – e sob aviso de bispos católicos filipinos de que o show dela era “obra do demônio” –, Madonna fez jus ao título do show, sem desculpas, nem arrependimentos.

Essa é a atitude que ela vem apresentando na turnê, e também ao longo de toda a carreira. É a persona pela qual os fãs filipinos esperavam há meses, desde quando o anúncio do show foi feito e milhares de ingressos, comprados.

“Manila! Vocês vêm comigo?” foram as primeiras palavras de Madonna aos 10 minutos do show, que o jornal Macomb Daily classificou como “um espetáculo de características teatrais”. A multidão foi à loucura como se o mundo estivesse acabando até o fim do show, à 1 da manhã, e nem ligaram para o feriado que celebravam (o 30º aniversário da revolução contra a violência e as fraudes eleitorais em 1986).

Como nas outras etapas da turnê, o repertório de Madonna foi dividido em quatro atos: “Joana D’Arc/Samurai”, “Rockabilly/Tóquio”, “Latina/Cigana” e “Festa dos anos 20”. Apesar dos olhares focarem na artista multitalentosa, havia quatro estórias sendo contadas nas sequências das canções, nos vídeos dos telões, nas coreografias e em toda a sinergia inerente ao espetáculo.

Mesmo com toda a tecnologia levada ao palco, foram as músicas mais calmas que emocionaram a todos. Na verdade, Like A Prayer (até a metade), True Blue e Who’s That Girl foram conduzidas apenas com um violão e um ukelele. Os outros sucessos famosos da enorme discografia de Madonna que chegaram à setlist ganharam novos arranjos, ficando quase irreconhecíveis; como se ela testasse o público pra ver se eles ainda amavam as músicas.

Os filipinos que estão acostumados a ouvir muitos covers nos shows tiveram apenas dois na primeira noite de Madonna: Love Don’t Live Here Anymore, originalmente gravador por Ross Royce e lançada no álbum Like A Virgin; e La Vie En Rose, a canção mais famosa da francesa Edith Piaf. (Bom, há outra – o refrão de You Light Up My Life, de Debbie Boone, que Madonna cantou de improviso à capela, mas foi como uma piada, ao notar que não havia muitas luzes vindas de celulares na arena. “Vocês esqueceram de carregar as baterias”?, ela perguntou em tom de brincadeira.)

Depois de reconhecer, na última parte do show, que “geralmente não vai a esta parte do mundo”, Madonna agradeceu aos fãs filipinos pelo apoio à carreira dela por mais de 30 anos. Ela também bateu um papo com a plateia (com muitos estrangeiros) e até chamou um cara vestido de mulher pra dançar com ela no palco.

O gigante palco em forma de cruz com outro menos em forma de coração na ponta foi criado especificamente para a turnê. É o mesmo que milhares de fãs viram nos outros shows. A maior parte dos acessórios e equipamentos chegaram a Manila de avião, vindos de Macau.