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Crítica: Quando Madonna deixará de ser relevante?

Mark Kemp – Creative Loafing

Madonna

Quando Madonna comicamente anunciou aos fãs do Verizon Center, em Washington, no dia 24 de setembro, que “temos um Muçulmano negro na Casa Branca”, ela jogou a merda no ventilador. Foi como se os abutres da cultura nacional sofressem outro caso de amnésia pop-cultural. Esta é Madonna, afinal. E Madonna será Madonna.

Como ovelhas, todos obrigatoriamente resmungaram no Twitter e no Facebook pra registrar seu horror. Foram inteligentes também, sendo que os considero bem astutos. Pessoas conhecidas ou com quem trabalhei muitas vezes nos últimos 15 anos – jornalistas musicais e críticos, especialistas, assessores de imprensa, o pessoal do rádio, músicos, até mesmo amigos de faculdade e conhecidos do colégio. Com os dentes rangendo e as bocas espumando, eles pularam desenfreadamente pra atacar Madonna novamente. Foi bem nostálgico.

Um escritor e ex-repórter da Billboard de Los Angeles ligou um artigo do jornal Huffington Post na página do Facebook com o título “Madonna chama Obama de ‘um Muçulmano negro na Casa Branca’”. Claro, ele também fez um comentário: “Deixe esta vaca lerda e louca por atenção se meter no diálogo político e ajudar a perpetuar uma das mais duradouras e errôneas concepções sobre o presidente”.

É sério? Sim. 57 pessoas curtiram a postagem dele e 35 comentaram, incluindo “Ela é tão idiota quanto um saco de martelos”; “Ela é uma vaca sem talento, sem cérebro e idioooota, sem senso de humor”; “Ela é uma puta, um verme estúpido”; e “Vamos lembrar que ela ainda exibe os seios nos shows”.

Você imaginaria que esses profissionais da indústria da música eram estudantes colegiais debatendo sobre uma líder de torcida popular, mas notoriamente rebelde, durante o almoço. Na verdade, eram pessoas de 40, 50 e até 60 anos de idade, debatendo sobre alguém que eles vêm seguindo de perto ao longo das últimas três décadas. Alguém que tem sido parte integral da cultura popular americana. Alguém que vem se expressando há muito tempo em músicas abusadas e bem-sucedidas, além de álbuns e performances, sempre aumentando o nível para mulheres da indústria da música e expandindo as definições de uma cantora pop e um ícone cultural popular. E lá estava ela – aos 54, a líder de torcida mais rebelde da América – na estrada já há um tempo, promovendo seu mais recente álbum, MDNA. E alimentando mais ainda a fúria no Facebook.

Agora na etapa final de uma turnê que começou em Tel Aviv em maio, Madonna seguiu para Charlotte no dia 15 de novembro para uma performance na Time Warner Cable Arena. Ela provocou controvérsia novamente? Esta sequer é uma pergunta significativa?

A grande novidade em setembro não foi que Madonna fez uma observação impactante durante um show em DC (seria novidade se ela não tivesse feito algo impactante). Não, a novidade foi que Madonna ainda trabalha e diz coisas que acendem uma paixão assim, tanto positiva quanto negativa, em 29 anos de carreira. A pergunta “Madonna ainda é relevante?” tem sido um mantra por quase 28 desses anos. Tudo começou em 1984, após o lançamento do segundo álbum e do convite pra cantar o até então o novo sucesso, “Like A Virgin”, no Video Music Awards, da MTV. Ela finalizou se arrastando no palco em um vestido de noiva, exibindo um pouco da virilha e cantando levemente fora do tom numa faixa pré-gravada. Após a performance, no primeiro de muitos pronunciamentos subsequentes, especialistas tocaram o sino da morte: Madonna desesperadamente procura chocar as pessoas; ela está acabada, pronto! Próxima!

Madonna não apenas estava em alta, mas se encontrava no meio de três álbuns maravilhosos, cortesia de colaborações muito boas com gênios dos estúdios, incluindo seu ex-namorado Jellybean Benitez, Nile Rodgers e Stephen Bray. Ao longo dos cinco anos seguintes, ela se casou e divorciou de Sean Penn, apareceu na Broadway na peça Speed The Plow, de David Mamet, estrelou no sucesso de público e crítica Procura-se Susan Desesperadamente e no fracasso Quem É Essa Garota?, e se tornou vítima de inúmeras piadas sobre punks e roqueiros. Ainda assim, foi tratada como estrela por membros da realeza do cenário alternativo: Sonic Youth e Mike Watt, do Minutemen, cujo projeto paralelo Ciccone Youth foi tanto uma homenagem, quanto uma paródia.

A primeira grande mudança artística de Madonna aconteceu em 1989 com Like A Prayer, o álbum que muitos – inclusive eu – ainda consideram a obra-prima dela. Depois de batalhar com seu querido pai e com a Igreja Católica em Papa Don’t Preach três anos antes, Madonna levou seus problemas religiosos à frente na faixa título do álbum e no clipe, repleto de ícones católicos sagrados/profanos: cruzes em chamas, cicatrizes e uma fantasia sexual com um santo. “Coube certo com o meu espírito da época, na questão de se impor às autoridades masculinas, seja o Papa ou a Igreja Católica ou meu pai e suas maneiras conservadoras e patriarcais”, ela disse à Rolling Stone em 2009. Em Express Yourself, do mesmo álbum, ela apelou a uma nova geração de jovens mulheres para que saíssem da sombra de seus namorados e tomassem o controle criativo. O que aconteceu foi que Madonna organizou um motim dois anos antes de Bikini Kill ou Courtney Love reclamar às massas desajustadas ao som de guitarras grunge e punk.

Madonna

Nos 23 anos seguintes, temos questionado a relevância de Madonna de forma automática. Com cada nova polêmica, especialistas respondem como cachorrinhos do fisiólogo russo Pavlov: “Ela foi longe demais desta vez? As bizarrices cheias de controvérsias dela chegaram a um nível de desespero? Madonna ainda é relevante?”. Fizemos isso em 1990 quando ela incorporou servidão e sadomasoquismo no clipe de Justify My Love. Fizemos de novo em 1992 quando ela lançou o livro Sex, como parte integrante do novo álbum Erotica. Fizemos no fim dos anos 90, quando ela incorporou as novas crenças da Kabbalah em Ray Of Light, que acabou sendo outro grande avanço criativo.

A primeira década do século 21 foi igual. Em 2003, Madonna usou o VMA da MTV novamente para ir além dos limites da aceitação, beijando Britney Spears e Christina Aguilera após a performance original de Like A Virgin. Os especialistas soaram como um coral: Madonna foi longe demais. Três anos depois, quando Madonna e o até então marido Guy Ritchie adotaram um menino do Malauí, o refrão voltou: ela está procurando atenção desesperadamente.

Estamos no jogo dela a cada novo movimento: suas aparições no cinema, os amantes, os desrespeitos de celebridade e comentários sociais. E em 2012, lá estamos nós outra vez. Em julho, o site MTV.com postou uma notícia com a manchete gritante: “A controversa turnê MDNA de Madonna: Ela foi longe demais? Usando armas falsas e se expondo no palco, a turnê MDNA do ícone pop está repleta de críticas”.

“Oh, fala sério, pessoal! Ela estava brincando. Os americanos estão assim, tão incapazes de aceitar sarcasmo?”. Foi isso o que eu escrevi no Facebook do escritor de música de Los Angeles sobre o comentário de Madonna sobre o “Muçulmano negro”. Daí, eu repostei o artigo na minha página. A situação não foi melhor lá, embora a acidez entre meus amigos não tenha sido tão intensa. “É um comentário horrível, que não vai ser nada bom pro Obama. Mas, ei, fez Madonna voltar ao noticiário”, um antigo conhecido da faculdade sugeriu. “Não tenho dúvidas de que ela tentava ser sarcástica”, um amigo de minha cidade disse, “mas ela falhou totalmente”. E um colega de Nova York lamentou que a piada de Madonna foi inapropriada:

“Há muitas, muitas pessoas lá fora que verdadeiramente acreditam que Obama não seja Cristão.”

E isso é problema de Madonna? Se as pessoas são burras o bastante pra acreditar que o Presidente é muçulmano, é problema deles, não de Madonna. E se o Presidente Obama tivesse perdido as eleições por causa da piada sarcástica de Madonna, muito mais teria sido dito sobre o nível de inteligência dos americanos do que sobre o humor dela. A sagacidade, os cálculos e o timing de Madonna estão ótimos, muito obrigado. Ou, conforme a solitária voz da razão – do jornalista musical, humorista e autor de I Want My MTV  Rob Tannenbaum – sugeriu no meu Facebook, o ultraje sobre a afirmação de Madonna “mostra não apenas um sarcasmo mal-entendido, mas – pior – Madonna sendo mal-entendida”.

Como a mais óbvia influência pop dela, David Bowie, Madonna é tanto uma artista performática quanto da música – cuja experimentação com personagens não se reserva apenas ao palco, filmes, clipes ou álbuns. Ela permeia cada aspecto da vida pública dela. Quando Madonna faz um documentário, como Na Cama Com Madonna ou I’m Going To Tell You A Secret, ela está se apresentando, não oferecendo algum tipo de visão jornalística perspicaz sobre sua vida pessoal ou o processo de bastidores. Ela está interpretando Madonna, seja atuando de forma vulnerável ou no controle; ela está brincando com códigos de gênero e cultura, papéis sexuais e suposições sobre poder.

Quando Madonna se une a alguma causa – seja pelos direitos gays, assuntos humanitários ou uma eleição presidencial – ela está se apresentando. Claro, é óbvio que a pessoa real – Madonna Louise Veronica Ciccone, de Detroit – também apoia o Presidente Obama e os assuntos GLBT, mas ela o faz através de vários aspectos de suas personas, não com canções de protesto, redações racionais ou palestras. Não é assim que ela trabalha. Madonna faz grandes observações com situações elaboradas, grande teatralidade, figurinos extraordinários, maquiagem à-la Fellini, e, sim, sarcasmo profano – todos os muitos aspectos de suas personas. Se entendermos os discursos políticos dela da mesma forma que ouvimos os de Joan Baez, Chuck D, Tom Morello ou Boots Riley, estaremos interpretando-a erroneamente. As grandes narrativas dela são o que a elevam muito acima das imitadoras, exceto talvez Lady Gaga, que realmente entende Madonna.

No aniversário de 50 anos de David Bowie, em 1997, eu estava com ele numa pequena loja inglesa de chás em Manhattan. Conversamos sobre as personas que ele criara ao longo dos anos – sobre seus objetivos, o que ele tentava alcançar, o que ele esperava que as pessoas soubessem sobre ele. Outros devem saber pouco sobre David Robert Jones (seu nome de batismo), ou Bowie como sugerido, mas eles devem saber muito sobre Ziggy Stardust and the Thin White Duke. A autenticidade foi superestimada, ele disse. Bowie é um artista que faz arte, personagens e situações – não uma realidade linear. “Eu costumava ficar agressivo com a ideia de integridade”, ele me contou, referindo-se àqueles que o criticaram no começo, por usar truques numa época em que sinceros cantores de folk pregavam ao seu eleitorado. “Eu dizia, ‘Foda-se – meu negócio é truque”.

Truque é o negócio de Madonna também. E esperamos muito disso quando ela chegou à arena de Charlotte. Já sabemos que ela tem provocado com uma sequência violenta durante as mais recentes canções – Girl Gone Wild, Revolver e Gang Bang – que apresentam Madonna com armas e couro, numa luta sangrenta e coreografada contra homens mascarados dentro de um quarto de hotel cenográfico. A cena foi tão perturbadora para alguns membros da plateia em Denver (sendo tão recente ao tiroteio da tragédia envolvendo o filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge), que algumas pessoas deixaram o show. “Estamos dançando e, de repente, as pessoas começaram a perceber o que era a canção”, Aaron Fransua, de 25 anos, contou à Associated Press. “Ficamos todos parados lá. Todo mundo perto de mim estavam chocados”.

Algumas canções depois no setlist da turnê MDNA, o que parecera antes ser um golpe visual e temático no ex-marido de Madonna, o diretor britânico adorador de sangue Ritchie, ficou bem claro, de acordo com a blogueira Marilee Lindemann, conhecida como a “Louca com um laptop”. Lindemann escreveu sobre o show do dia 23 de setembro em Washington: “Percebi naquele momento que não estávamos sendo forçados simplesmente a nos divertir com a violência gratuita. As evocações de Abu Ghraib contextualizaram e geopolitizaram friamente a violência das cenas anteriores, à-la Tarantino, e mostraram consequências reais”. Lindemann, Professora universitária de Inglês e Diretora de Estudos Gays, Lésbicos, Bissexuais e Transgêneros na Universidade de Maryland, acrescentou: “ou…o mais real possível no espetáculo surreal de Madonna”.

Quando o espetáculo de Madonna chegou a Charlotte, também pudemos ver referências à rixa dela com a imitadora Lady Gaga. As duas têm estado muito conectadas ao longo do último ano, brigando pela opinião popular. Em turnê, Madonna injetou a rixa em Express Yourself  (“não aceite o segundo lugar, baby…”), desviando-se momentaneamente à faixa similar de Gaga Born This Way, pra afirmar apropriação, sabe?

A resposta de Gaga a esta justaposição? “As únicas similaridades são a progressão de cordas – é a mesma da música eletrônica há 50 anos”, disse a Lady. “Não significa que estou plagiando, mas que sou esperta pra cacete”.

Na verdade, Madonna e Lady Gaga são ambas espertas pra cacete. Madonna levou a narrativa da rixa a Minneapolis em 4 de novembro, contando à plateia que Gaga rejeitara um convite pra cantar com ela no palco. “Tudo bem”, Madonna disse. “Tenho os melhores fãs do mundo todo. Então, toma isso, Lady Gaga!”.

Tome isso também: de acordo com os números, Madonna é tão relevante quanto sempre foi e, facilmente, tão popular quanto quaisquer de suas herdeiras. MDNA é o quinto álbum consecutivo dela a dominar as paradas. A turnê atual já vendeu 1.9 milhão de ingressos no mundo todo, com a maioria dos shows esgotados. E mais, ela continua em grande forma física e as canções e conceitos de performance de MDNA são fortes como tudo que ela já fez em anos.

Especialistas têm lamentado quando Bowie ou Bob Dylan ou os Rolling Stones continuam se apresentando bem em seus anos de crepúsculo, mas Madonna retrocede esta turnê – focando, na maior parte, em sua idade.

Tudo bem, de acordo com Madonna. “Já me rejeitaram antes”, disse ela, apesar de se referir aos insultos de sua jovem rival e não aos comentários sobre sua idade. “É bom construir caráter”.

Enquanto continuarmos questionando a relevância de Madonna e de seus personagens, ela continuará relevante como nunca!

Produtora reduz preço de ingressos para shows de Madonna no Brasil

Madonna

A menos de um mês das apresentações no Brasil, a produtora T4F anunciou uma cota especial de ingressos para o show de Madonna, com preços reduzidos.

A iniciativa é dada para evitar o mesmo que aconteceu com Lady Gaga, que teve milhares de ingressos encalhados nas bilheterias. Sem contar a grande cota disponibilizada para sites de compras coletivas, que venderam as entradas por menos da metade do preço original.

No Rio de Janeiro, por exemplo, no setor Pista, onde os ingressos estavam entre R$ 180 a meia-entrada e R$ 360 a inteira, o valor baixou para R$ 100 (meia) e R$ 200 (inteira).

Em São Paulo, os valores foram reduzidos para a apresentação extra no Morumbi, no dia 5 de dezembro. Os setores que ficaram mais baratos foram: Pista, de R$ 360, 00 (inteira) e R$180,00 (meia) para R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia); Cadeiras Cobertas (inferior e superior) passaram a custar R$ 125 (meia) e R$ 250 (inteira) – antes R$ 230 (meia) e R$ 460 (inteira); Arquibancada R$ 75 (meia) e R$ 150 (inteira) – metade dos valores anteriores, em que o assento mais caro, o da Arquibancada Especial, estava  R$ 150 (meia) e R$ 300 (inteira).

A rainha do pop chega ao brasil em dezembro para uma bateria de quatro shows, a serem realizados nos dias 02 (Rio de Janeiro, no Parque dos Atletas), 04 e 05 (São Paulo, no Estádio do Morumbi), e 09 (Porto Alegre, no Estádio Olímpico). A última passagem da cantora pelos palcos brasileiros foi em 2008, com a turnê Sticky & Sweet Tour.

Review: Impossível competir com Madonna

Madonna

Madonna é considerada uma lenda viva, um ícone cultural, uma das melhores e mais influentes artistas na história da música americana e, na noite de 1º de novembro, nós descobrimos o porquê no Scottrade Center: trabalho árduo e carisma natural.

Se acreditarmos em qualquer das falhas de personalidade dela sobre as quais temos sido informados, ela precisa e quer ser o centro das atenções o tempo todo. Esta qualidade pode ser a mais o traço mais distinto de uma estrela pop, e Madonna é, indiscutivelmente, a maior estrela do mundo. A morte de Michael Jackson não deixou dúvidas sobre quem carregará a coroa. Os maiores astros de estádios como Bruce Springsteen e Prince podem representar uma boa competição, mas Madonna é a Rainha.

É especialmente interessante considerar que Madonna é um camaleão de estilos e cultura. Houve a Madonna punk dos anos 80, a religiosa, a controversa, a sadomasoquista, a mística, a Evita, a baladeira e assim por diante. Todas essas Madonnas estão aí e são amadas, mas o interessante é como ela traduz e comprime todas essas personalidades no palco do show. Uma enorme produção, incluindo um palco gigante, telas imensas, luzes, lasers, filas de dançarinos, clipes de intervalo e uma banda, não distraem ou minimizam o poderoso carisma dela.

O show de abertura de Paul Oakenfold foi uma seleção decente e justa pra animar a multidão. Ele gentilmente tocou versões eletrizantes de Mr. Brightside, do The Killers; Satisfaction, dos Rolling Stones; Sweet Dreams, dos Eurythmics; Otherside, dos Red Hot Chili Peppers; e não menos do que três músicas da Rihanna. Basicamente, foi tedioso, mas funcionou. Parecia algo ignorável, tocado em qualquer boate no fim de semana.

Neste momento, Oakenfold é mais um senhor da música eletrônica do que um membro ativo e inovador da cultura, mesmo assim mandou um pouco de Sandstorm, do DJ Darude, para os clubbers que lá estavam. Como os mais populares DJs em grandes eventos, ele não parecia estar fazendo muita coisa atrás do painel de LED. Havia uma câmera sobre ele o tempo todo, mas, de maneira reveladora, o único momento em que mostrou as mãos escondidas dele foi no final, quando ele abaixou o volume.

Um show da Madonna é mais do que apenas música, é a apresentação ao vivo da arte dela, o que representa ela mesma. Não há um jeito fácil de apresentar exatamente todos os seus visuais, fases e explorações musicais em um set de uma hora e meia.

Ela aborda o dilema terminando o show com seções diferentes, todas apresentando humores, atitudes, tipos de música e figurinos diferentes. Ela já está há três décadas numa carreira musical enorme, internacional e inconcebível, e seria impossível (e cansativo) pra ela tocar todas as músicas que os fãs queiram ouvir.

Madonna

Há uma dificuldade que precisa ser dita quando tenta-se compartimentar uma lista de opções tão longa e diversa. Este problema foi resolvido através da referência a outros sucessos durante a apresentação. Por exemplo, Hung Up conteve pitadas de tanto Papa Don’t Preach como Live To Tell. E, durante Express Yourself, Miss Madge até mesmo deu um golpe merecido em Lady Gaga ao jogar alguns versos do sucesso roubado Born This Way no meio da canção.

Por nunca insinuar ou ser sutil, Madonna é direta em sua vida e em seus shows. Ela é uma artista bem literal, andando na corda bamba pra ilustrar uma tensa emoção, agarrando suas partes ao cantar sobre sexo, rastejando no chão pra imitar uma angústia e atuando de forma convincente em alguns cenários de contação de histórias (especialmente durante a apresentação de Love Spent, uma faixa de destaque no novo álbum MDNA).

Sob as luzes de Madonna, tudo é líquido. O chão do palco se transforma numa plataforma elevada, os dançarinos se formam numa escadaria humana e a senhora da noite troca tanto de figurino, quanto de cabelo e humor com facilidade. Ela começou a noite como algum tipo de líder Illuminate sombria antes de mudar para uma violenta Bond Girl; uma mulher buscando orientação religiosa; a líder de uma banda de fanfarra; uma estrela da cena de Factory, de Andy Warhol; uma amante de cítara e seguidora do guro Maharishi Mahesh Yogi; uma anfitriã bem afetada e daí um tipo de druida futurista do espaço sideral, com um pouco da energia dominatrix aqui e ali.

Se ela tem alguma constante, é o fato de estar sempre mudando. Esta é a verdade em todas as suas explorações, mas Madonna ainda tem algumas cenas e visuais próprios. Mas, por estar na cena por tanto tempo, tudo sobre ela é familiar. Das suas sobrancelhas distintas às pontas nítidas de seu lábio superior às coxas saradas ao estilo de dançar e presunção, parece que conhecemos tudo, mas ela ainda consegue fazer as músicas e os visuais parecerem frescos. É tudo ainda muito Madonna, mas ela sempre mistura o estilo. Ela mantem as canções antigas interessantes por apresentá-las de novas maneiras como quando cantou uma versão lenta e quase macabra de Like A Virgin.

Mesmo com todo esse pensamento e esforço e profissionalismo, alguns pontos não foram tão bons assim. Human Nature precisou de mais efeitos de hip-hop (como na versão do álbum) e Masterpiece foi, de longe, o ponto mais fraco da noite. Mesmo assim, quaisquer pequenas falhas foram mais do que compensadas quando o show terminou. Like A Prayer sozinha valeu o preço exorbitante do ingresso. Todos os dançarinos estavam no palco numa estrutura elevada, vestindo túnicas e balançando e batendo palmas como um coral gospel, com Lady Madonna pregando. Posso ouvir um “Amém”?

CADERNO DO CRÍTICO:

Multidão: Parecia haver várias senhoras mais velhas tendo a “Noite das Mamães”. Havia também muitas senhoras vestidas com diversas eras de Madonna, saias redondas dos anos 80, provando ser especialmente populares. Muitas e muitas fantasias que sobraram do Halloween.

Família: Rocco, filho de Madonna, atuou como dançarino-júnior, unindo-se a ela no palco em algumas canções e até mesmo explodindo em seu próprio solo de dança.

Problema: Durante I’m A Sinner, o retorno auricular e o microfone de Madonna lhe deram problemas. Ela parou a canção e esperou pela troca antes de recomeçar, mas não antes de pedir perdão à plateia e evocar piedade daqueles que lá estavam quando ela resmungou em tom de brincadeira: “Este é o meu pior pesadelo”.

Gostosura: Levando em consideração o fato de que Madonna é uma mulher que construiu sua carreira parcialmente em seu corpo e sexualidade, não acho ser irrelevante mencionar que ela estava incrível. Ela está mais linda e, de algum jeito, mais charmosa na carne, e seus figurinos justos não deixaram dúvida de que o corpo dela ainda está demais. Mas é louco assisti-la e perceber que ela é real. Ela é tão pequena quando você a vê pessoalmente que é difícil se conscientizar de que esta pessoa pequenina tem sido tão influente.

Diva: Quando Madonna espiou em alguns fãs sentados durante o show, ela os chamou. Ela quis que todos levantassem e dançassem, e, gentilmente (mas firmemente), os envergonhou até que a obedecessem (“Vocês não têm permissão pra sentar na porra da cadeira!”).

Riverfront Times – Tradução de Leonardo Magalhães.

‘Monstrinhos’ de Lady Gaga chamam Madonna de ‘louca’: ‘Não é tão legal’

A cantora Lady Gaga se apresentou na noite desta terça-feira (30) no Coliseo em San Juan, em Porto Rico, e o G1 conversou com os fãs da cantora na porta da casa de shows para saber mais sobre o fanatismo dos “pequenos monstros” (como Gaga costuma chamar seus admiradores) e sobre a suposta disputa entre ela e Madonna.

Madonna

Angel Gonzales, jovem de 17 anos de Porto Rico, comentou sobre Madonna e falou da importância de Gaga em sua vida. “Madonna é uma boa artista, mas às vezes fica louca… Ela não gosta de Lady Gaga”. Ele mostrou uma cicatriz na barriga por conta de uma doença que tem e contou que a cantora o ajuda nas horas ruins. “Gaga me fez mais forte e corajoso. Por isso estou aqui. Ela e o disco ‘Born this way’ são tudo para mim”.

A americana Arlene, 26, afirmou que saiu do Texas, sua terra natal, apenas para ver Lady Gaga em Porto Rico. “Ela é incrível, a única pessoa que defende os direitos dos gays. Já havia visto seu show e ela é inspiradora”. Arlene afirma não aceitar que Madonna diga que Gaga a copie. “Elas são diferentes. Gaga é totalmente pé no chão, muito próxima dos fãs. Madonna não é tão legal. Uma artista incrível, mas não gosto tanto dela assim”.

Madonna

“Ela não é só uma cantora, ela também quer que todos sejamos nós mesmos, sinto que ela com sua musica pode divulgar a mensagem do amor, de amar a todos sem julgar ninguém. Ontem, religiosos aqui protestaram por causa deste show. Supostamente ela é um mau exemplo para a juventude, mas para nós ela é perfeita”, afirmou o portorriquenho Alexis, de 21 anos. Seu amigo Gabriel, 24, que teve a sorte de ser chamado por Gaga poucas horas depois para subir ao palco, disse que a americana “é a voz” de sua geração.

As irmãs portorriquenhas Natalie Colon, 16, e Hilary Colon, 17, disseram preferir Lady Gaga a Madonna, embora não soubessem dizer ao certo o porquê. “Ela é a Lady Gaga. É linda”, disse Hilary, que em seguida afirmou não se importar com as supostas gordurinhas extras da cantora. “Eu a amo como ela é. Ela está sempre fabulosa, gorda ou não”.

Madonna diz a Ellen DeGeneres que Britney beija bem

Madonna

Madonna gravou uma entrevista para o “The Ellen DeGeneres Show”, que vai ao ar nesta segunda (29) nos Estados Unidos para divulgar sua turnê “MDNA”. Durante sua participação, a cantora teve que responder o que achava de cada uma das atuais divas pop, incluindo-se Rihanna, Lady Gaga, Pink e, claro, Britney Spears.

Para Britney, respondeu aos risos: “Beija bem! Desculpa, mas eu tinha que dizer isso!” A piada foi uma referência à apresentação das duas em 2003 no VMA, em que Madonna beijo Britney e Christina Aguilera na boca.

Quando indagada sobre Lady Gaga, Madonna pensou, pensou, pensou e disse: “Eu estava esperando por isso, mas estou pensando… Tem uma voz boa. E tem outra coisa. Uma tatuagem do braço esquerdo que eu acho linda.”

Os comentários não pararam por aí. Para Jennifer Lopez, Madonna respondeu: “Bela bunda!”.

O programa traz Madonna com o figurino que ela usa em “Vogue”, em sua atual turnê que chega ao Brasil no dia 2 de dezembro. O filho da popstar, Rocco, de 12 anos, também participa de um quadro do programa.

Madonna se politiza e mostra a bunda para multidão em Los Angeles

By Randall Roberts – Los Angeles Times Pop Music Critic

Mais um review da passagem de Madonna por Los Angeles com a MDNA World Tour.

Madonna

Contorcionistas humanos se fantasiaram com asas. Monges de túnicas e padres misteriosos cantando em voz baixa. Tiroteios em hoteis decadentes. Assassinatos cheios de drama, com sangue derramado numa tela do tamanho de um outdoor, além de um giratório guerreiro ninja Nunchuku.

Estes dramas musicais e o retorno em destaque da cantora pop Madonna a Los Angeles na noite de quarta-feira (10/10), onde ela apareceu no Staples Center para o primeiro de dois shows em divulgação ao álbum MDNA.

E esse foi apenas o primeiro ato.

Por várias vezes, no segundo e terceiro atos, ela levou uma bateria flutuante que tocou enquanto se pendurava nas vigas de suporte, girou um cassetete em uníssono com os dançarinos/líderes de torcida e confortou uma tropa de dançarinos soldados com um violão acústico, violino e a batida de Masterpiece.

Ela flutuou num carro cromado sobre o palco e arrastou-se numa escada próxima ao público, apertando a mão de um fã. A energia alegre que iluminou o rosto de um homem de meia idade enquanto Madge olhou fixamente pra ele impulsionou o Staples Center.

Certamente! Ela é Madonna e ninguém faz isso melhor. Nem Lady Gaga, Katy Perry, Britney Spears, Ke$ha, Rihanna, Christina ou qualquer estrela pop de outras gerações que usaram como modelo os shows detalhadamente montados, as coreografias, os projetos artísticos e os espetáculos. Algumas delas podem ser cantoras melhores ou mais acrobáticas, ou até oferecer ingressos mais baratos – assentos bons custaram mais de 300 dólares – mas ninguém se provou tão adepta na entrega de um bom espetáculo como Madonna.

Uma evidência: o modo sugestivo no qual ela incorporou o refrão de Born This Way, da Lady Gaga, em Express Yourself. Apresentada tanto como uma provocação e como uma ponte de gerações, o gesto personificou as formas com as quais Madonna adotou suas crias pop, o que deve ser ressaltado, já que o álbum divulgado é um dos mais desafiadores da carreira. Um esforço em vão de continuar sua dominação das paradas competindo com artistas que têm metade da idade dela, a abordagem pareceu um pouco desesperada.

Ela encheu o show com faixas do MDNA, com as cinco primeiras músicas acrobaticamente coreografadas com inspiração em filmes policiais. Daí, o drama cresceu, em suas seduções musicais e nos intervalos.

E, como de costume, ela deu um sermão, desta vez focado na banda russa Pussy Riot e no recente tiroteio a uma garota paquistanesa de 14 anos, Malala Yousafzai, supostamente pelos Talibãs. Ela protestou com a voz e, com a música, chocou e impressionou.

Rolando no chão durante Human Nature, ela tirou o sutiã e virou de costas pro público. Com muita sedução, baixou as calças para revelar a bunda e, um pouco acima, o nome Malala.

Os sucessos continuaram muito bem organizados. Vogue foi executada em preto e branco; I’m A Sinner mostrou Madonna tocando guitarra numa versão mesclada como música indiana; Like A Prayer apresentou um coral de 30 pessoas formado pelos dançarinos que, ao longo da noite, mostraram força e agilidade.

Combinada, a Rainha do Pop entregou um grande espetáculo, com quase duas horas de uma performance ridiculamente alegre. Não é de estranhar porque os ingressos foram tão caros. Foi um negócio sério que exigiu muita mão-de-obra (sem camisa e muscular), além de muita energia feminina e misticismo.

VÍDEOS

Madonna surpreende a plateia de Los Angeles com show espetacular

Madonna

THE EXAMINER: Nota para Madonna  no Staples Center – 5

Madonna está vindo para Las Vegas neste fim de semana. Se você ainda não comprou seu ingresso, vai perder um dos concertos mais espetaculares e teatrais já produzidos. O  desempenho da MDNA Tour noite passada no Staples Center, em Los Angeles,  não só reafirma a posição de Madonna como ícone gay supremo, como também mostra que ela não é uma artista antiga ou ultrapassada e sim que ela está mais relevante do que nunca.

Controvérsia

A controvérsia em torno deste show tem sido muito exagerada. A divulgação das fotos do show significa, muitas vezes, que elas foram mostradas fora do contexto. As armas eram apropriadas para uma metáfora sobre a vida de Madonna. O exibicionismo não era um pouco sexual, e sim, a maneira que Madonna encontrou para afirmar o seu poder e dar um basta ao sexismo e preconceito de idade.

A controvérsia sobre o setlist é válida, já que o show tem demais no MDNA, seu álbum mais recente, que é um disco mediano e não merecia estar em quase metade do espetáculo.

Escuro

O início do show foi muito escuro. Madonna abriu com uma temática religiosa em “Girl Gone Wild”, e logo depois “Revolver”, com acrobacias incríveis e armas atirando. Ela, então, entrou em “Gang Bang”, que teve sangue respingado, linguagem chula, etc. Foi mais cômico do que qualquer outra coisa e o público pareceu não se incomodar.

O destaque da primeira parte foi “Hung Up”, em que Madonna foi arrastada para uma “slackline” (linha bamba ou corda bamba, na tradução literal), por pessoas representando demônios. Ela andou sobre as cordas, simbolizando que há uma linha tênue entre o céu e o inferno.

Emocionante

A segunda parte do show começou com “Express Yourself” e mostrou Madonna no discutível uniforme de majorette. Parece horrível nas fotos, mas funciona muito bem ao vivo. Ela cantou um pedaço de “Born This Way” da Lady Gaga e também de “She’s Not Me”, do álbum “Hard Candy”. Felizmente, este não foi um ataque desesperado contra Mother Monster; pareceu muito mais como um tributo, com Madonna dizendo que elas não são a mesma artista e que as pessoas deveriam parar de compará-las.

Político

Antes de cantar seu hit “Holiday”, Madonna teve tempo para conversar com o público sobre os direitos dos homossexuais. Isso trouxe lágrimas aos olhos de muitos homens gays na plateia que foram abandonados por amigos, família, etc. só por causa de sua sexualidade. Os direitos dos homossexuais podem ter melhorado nos últimos dez anos, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

Madonna também falou sobre a adolescente Malala Yousafzai, que foi baleada por membros do Taliban por reivindicar melhores condições de educação em seu  blog. As lágrimas correram pelo rosto de Madonna e o público ficou tocado por ver que ela  realmente tem qualidades humanas.

Ao contrário de uma Virgem

A única parte ligeiramente desanimada do show foi quando Madonna cantou “Like a Virgin” como um número de cabaré barato. Várias pessoas na plateia aproveitaram para ir ao banheiro ou foram pegar uma bebida, mas ela recebeu muitos aplausos calorosos ao terminar o número. Mas a coisa mudou quando ela cantou “Love Spent” do álbum MDNA, logo depois.

Like a Prayer

O penúltimo número no show foi “Like a Prayer”. Este tem  sido a desempenho mais destacado a cada apresentação de Madonna. Foi muito alegre, espiritual e levou todos a dançar. Todos foram totalmente tomados pela emoção. Este foi o ponto do show onde Madonna ficou mais conectada com o público.

A apresentação final da noite foi “Celebration”, que contou com uma  incrível iluminação e números de dança bem loucos. É comum, muitos na plateia saírem durante a última música. Esse não foi o caso com esta canção, embora seja possível que alguns já esperassem algum tipo de bis.

Conclusão

Lady Gaga, Kesha, Rihanna e Katy Perry podem até ser mais legais para a geração mais jovem do que Madonna atualmente é, mas o show da noite passada demonstrou quão à frente dessas artistas Madonna ainda está. E o reinado da Rainha Pop acaba de ser prorrogado.

Madonna chuta Lady Gaga na capa da Billboard Brasil de outubro

O que era apenas um rumor sobre a nova capa da edição de outubro da revista Billboard  Brasil, deixou de ser. Madonna e Lady Gaga simulam uma batalha, e ficou bem explícito, pela capa, quem está por cima e quem está por baixo, quem chuta, e quem leva, quem manda, e quem…

Lady Gaga e Madonna fazem shows no Brasil com suas respectivas tours em novembro e dezembro, respectivamente.

Eis…

Madonna

Madonna convidou Lady Gaga para seu show em Nova York, assista a entrevista!

MadonnaO empresário da cantora Vince Herbert deu uma entrevista ao programa de rádio ““Sway in the morning” programa de rádio e falou sobre Madonna:

Lady Gaga ficou incomodada quando Madonna fez aqueles comentários depreciativos sobre ela?
Vince Herbert: Um pouco, porque ela admira Madonna, mas Madonna ligou-lhe para convidando-a para estar com ela no MDNA Tour  no Yankee Stadium, em um dos shows, em setembro. Nós não conseguimos fazer isso acontecer, porque ela está em sua própria turnê, mas é assim que a bola gira. O empresário de Madonna, Guy Oseary, veio até nós e nos disse: “Madonna gostaria que Gaga participe do show dela.”

Como Gaga se sentiu sobre isso depois de tudo que aconteceu?
Vince Herbert: Ela é descolada. Ela disse em como “realmente gostaria que poderia fazê-lo”.

Assista a entrevista